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Pôr-do-Sol in Minneapolis

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Você, porto-alegrense de nascença ou de coração, entenderá bem do que falo: hoje, final do dia, dirigindo pra casa, viro uma esquina e dou de cara com o sol se pondo à minha frente, bem centralizado com a rua. Tive que parar e me remeter a tantos finais de tarde à beira do Guaíba.  Sei que o sol se põe em todos lugares e que pôres-do-sol lindos existem em exagero (graças a Deus), mas me refiro especialmente ao do Guaíba, não só por ter sido certamente o que mais vi, no sentido de parar e assistir mesmo, mas por causa do que se passa (ou se passava, ou acredito que se passava) quase diariamente lá, principalmente nos arredores do gasômetro: as pessoas vão chegando de todas as direções e, minutos antes do por-do-sol, o burburinho é grande, as vezes é barulho mesmo, com todo mundo falando ao mesmo tempo, até violão, crianças correndo e cuscos latindo. ] Mas conforme o sol vai baixando, as conversas vão terminando, as respostas ficando esquecidas, a saudade prendendo a respiração, o úl...

Saudades de uma Porto Alegre na Saudade

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Hoje de manhã, vendo uma mensagem de um amigo no Facebook, me lembrei de Porto Alegre, lembrança funda que foi. A tal mensagem não falava de meu Portinho, meu amigo também não está nem é de Porto Alegre, mas me lembrei profundamente de minha cidade amada, uma lembrança daquelas de fechar os olhos. Creio que possa ter sido apenas saudades mesmo, nunca se sabe ao certo. Sei que desde então minha mente está recheada de momentos, de pessoas, de peças de teatro, de músicas, de amigos, artistas, de bares, casas, ruas, que estão aparentemente misturados e confusos, mas que fazem muito sentido exatamente por serem assim, tudo ao mesmo tempo, uma lembrança levando a outra, e passei o dia nesta travessia, neste jogo de amarelinha pulando de uma memória à outra, uma mais doce do que a outra, mais bela, mais saudosa. Claro, o tal amigo, mineiro, morou em Porto Alegre na mesma época que eu, paulista, e foi por lá que nos conhecemos. Isso foi no início dos anos 2000. Aquela primeira década do século...

O Caminho do Meio e o Meio do Caminho

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Você já deve ter ouvido falar do Caminho do Meio. Caso contrário, sugiro que procure informações, pois lhe será, no mínimo, interessante, se não for revelador. Essa expressão foi criado por Siddhartha Gautama para descrever o caminho que leva à libertação ou à iluminação. Este caminho é aquele que procura pela harmonia e moderação, evitando extremos. Ele não utiliza noções de bem e de mal e é equidistante entre o rigor excessivo e a excessiva permissividade. É o estado em que dizem que fica claro as dualidades existentes no mundo e como elas são perigosas, independentemente de serem consideradas “do bem” ou “do mal”: isso faz pouca diferença. Seguindo esse caminho, dizem, você se livra da ganância, do ódio e da ilusão, que são consideradas as raízes dos maiores sofrimentos que temos. Neste caminho você não ficará feliz demais acreditando ser o melhor, quando alcança vitórias, pois sabe que elas são passageiras; assim como não se desperará nas derrotas, pois sabe que elas também passarã...

Dia de Martin Luther King Jr

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No último dia 15, Dr. Martin Luther King Jr completaria 92 anos. Em razão de seu aniversário, na terceira segunda-feira de janeiro é celebrado seu dia aqui nos Estados Unidos e em outros lugares. Martin Luther King é normalmente lembrado e citado como um líder pacifista, um revolucionário comparado a Gandhi, Nelson Mandela e outros líderes idealizados. Porém, assim como certamente aconteceu com os citados, ele não era perfeito e provavelmente não teve uma vida ilibada, o que não o torna nem um pouco menor ou não merecedor de todas homenagens que recebe. Eu decidi escrever para você, cristão e cristã, cidadão e cidadã do bem, protetores dos valores da família, que dizem que admiram o Dr. Martin Luther King Jr, e lhe peço para tentar ser o mais sincero que puder consigo mesmo e me responder qual seria sua opinião sobre uma pessoa, sobre um líder que: tem acusações de ter plagiado em sua dissertação de doutorado; é acusado por várias pessoas e pelo FBI de ter “fraqueza por mulher” e t...

Agosto

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Estou ruminando um texto que li com um que tento escrever há dias. Escrevo, não o acho no tom que gostaria, apago, começo novamente, novamente não o acho indo na direção que gostaria e assim sigo. Hoje ele vai sair de mim do jeito que for, terá o tom que tiver e será da qualidade que você julgar apropriada, não me importa mais. Já se foram cinquenta anos e pouco foi dito, quase nada entendido: é tanto tanto e tanto pouco que nem sei. Sempre fui do tipo que, como diria Zeca Baleiro, passa agosto esperando setembro. Sempre concordei com a velha máxima de que agosto é mês do desgosto e outras máximas óbvias: mês do cachorro louco, mês do azar, e o que mais você puder lembrar ou me ensinar. Porém, no começo de agosto, uma pessoa muito especial compartilhou um texto também especial que me tocou. Pelo que pesquisei, creio que o mesmo seja de autoria de Miryan Lucy de Rezende. No texto, bastante poético, ela conclui que “só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera”. Se me permitem,...

Epifania

Descobri que hoje, dia 06 de janeiro, dia que aprendi a chamar de Dia dos Reis, também é conhecido como Epifania, ou Epifania do Senhor. Esse nome, obviamente, me remeteu à epifania comumente utilizada na literatura, belamente exploradora, se me permitem a palavra, por Caio Fernando Abreu, só para deixar um exemplo. Tive que pesquisar a origem e significado da palavra: aparição, manifestação, sentimento que expressa uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. É quando achamos a peça que faltava do quebra-cabeça. É quando cai a ficha. Isso explica o porquê do Dia de Reis ser chamado assim, pois foi o dia em que, segundo a tradição e crença cristã, o Cristo se manifestou e/ou foi compreendido pelos não-judeus, os chamdos gentios. Também explica a utilização do termo na literatura como em alguns contos e crônicas de autores como Caio e Clarice Lispector, que normalmente se tratam de histórias aparentemente simples narrando fatos cotidianos, mas que acabam p...

Empilhando Café

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Sabe quando a coincidência é muito grande para ser só coincidência? Hoje participei de uma atividade de voluntariado. Junto com outros colegas de trabalho, fomos trabalhar por algumas horas neste banco de alimentos chamado Second Harvest Heartland. Já havia voluntariado lá algumas vezes no passado. O trabalho normalmente é simples, apesar de importante para eles. Normalmente eles recebem doações de alimentos, ou compram alimentos em grandes quantidades com as doações de dinheiro que recebem e usam a mão de obra de voluntários para dividir, separar, organizar, empacotar, etc, os alimentos. As vezes a atividade é preparar caixas com cestas básicas, enfim, de acordo com o que eles recebem, a atividade muda um pouco, mas é desse tipo. Por exemplo, pegar fardos de pacotes de arroz, de feijão, e outros alimentos e organizar em caixas menores que serão distribuídas para famílias necessitadas. Bem, toda essa introdução se faz necessária para deixar bem claro o que eu esperava quando fui lá...