domingo, 31 de maio de 2009
Que posso fazer se minha vida tem mais primaveras que outonos?
Acostumei-me a ver mais flores nascerem do que morrerem, espirrar mais devido ao pólen do que por resfriado, usar mais camisetas do que casacos. E prefiro tênis a sapatos. Nada demais, um simples All Star, calça jeans e camiseta branca já me deixam confortável, com sensação de estar adequadamente vestido para viver minha vida.
Também vivi mais verões que invernos, mas isto não é o importante, é apenas conseqüência. Não que eu não goste de verões, assim como nada tenho contra outonos e invernos, mas apenas vejo-o como conseqüência da primavera, como o marco do apogeu da mesma. Três meses comemorando-a, celebrando a vida que ela nos trouxe.
Por mais fria que seja, primavera é sempre primavera. Por mais diferente que seja, é onde me sinto bem, me sinto em casa, em qualquer lugar do mundo.
Diferente da lua, que prefiro quando cheia, nas estações prefiro a crescente, a que leva ao sol. Na lua, o quarto crescente me dá uma sensação de angústia, de ansiedade. Fico com a sensação de algo incompleto, definitivamente não gosto. Primavera, pra mim, só a do sol, a da lua não me conforta. Nela prefiro as outras estações, as outras fases, até a nova, como hoje, me deixa melhor.
Mas, de tudo de belo que pode existir na primavera, do que mais gosto é de lembrar como tudo estava quando ela começou e ver como ela age, como ela muda tudo.
É bom lembrar que, mais do que bela, ela é prenúncio de nova vida. No meio do inverno, tudo frio e morto, nada melhor do que lembrar da primavera, lembrar que ela virá, com toda certeza, e terminará com o gelo, com a sequidão e nova vida nascerá.
E assim é, e assim é que se tem alegria, mesmo no inverno, mesmo em tempos sem sol, pois sabemos que a primavera virá, que a lua será cheia. E assim a vivemos, cada dia com toda energia possível, pois também sabemos que novo outono virá, e a lua minguará.
Que posso fazer se minha vida tem mais primaveras que outonos? Vivê-las.
(English version: http://wordsbytheworld.blogspot.com/2009/05/what-can-i-do-if-my-life-has-more.html)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Dia cinza em Minneapolis.
Apesar de estarmos quase no verão, hoje a temperatura não passou dos 15ºC. Às vezes garoava.
Em Uptown, um senhor me pediu dinheiro. Foi o primeiro, hoje.
Já me pediram dinheiro em vários lugares, de várias formas. Diferente do Brasil, só na aparência. Aqui se vestem melhor, mas pedem dinheiro.
Dois estudantes, pelo menos pareciam ser, em pleno campus da Universidade de Minnesota me pediram dinheiro na semana passada. Achei que fosse brincadeira, mas não era.
Pouco muda no mundo daqui em relação ao que já conhecia. Negros e imigrantes de países pobres, latinos e asiáticos, fazem o serviço pesado. Isto pode explicar a simpatia.
Dentro da dor e da delícia de se ser o que é, de se estar onde se está, passei o dia lembrando de uma amiga que faz aniversário hoje.
A estas horas devem estar tomando uma cerveja. Devem estar no Mercatto. Nem o cheiro de cigarro me incomodaria. Sim, já devem ter fumado muito. Devem estar bêbadas e falando alto. E mais um cigarro. E mais uma cerveja.
Aqui a cerveja é boa, acho que melhor que a do Brasil, mas tenho preferido tomar vinho branco. Sozinho, com o frio, só me apetece chá, por enquanto.
Prometem que o calor chegará, mas ainda tenho dúvidas.
No bar, devem estar criando problema para colocar uma cadeira a mais na mesa, que já deve estar lotada, mas as meninas do Mercatto dão um jeito.
Brindo com meu chá, querendo, por alguns momentos, trocar a primavera de Minneapolis pelo outono de Porto Alegre. Aqui as ruas estão lindas, coloridas pelas inúmeras árvores e plantas. Várias cores que se alteram diariamente. Difícil de imaginar, só mesmo vendo.
Mas tenho saudades da rua da República, com seu verde único. Algo me diz que o verde da Redenção não é mais belo, mas é mais profundo que o verde daqui.
Dentro da dor e da delícia de se ser o que é, de se estar onde se está, comecei um novo módulo hoje. Novos professores, novos colegas, antigos professores e colegas também. Como a vida, sempre com novidade, sempre com um pouco do mesmo, para nos acostumarmos, para o aconchego da alma.
Ontem joguei futebol, depois de anos. Muito bom. Definitivamente, tenho me sentido mais livre, mais solto e mais novo, como há tempos. Muita energia, muita vida, muita alegria, mais do que imaginava, mais do que queria, mais do que sonhava.
Mais alguém deve ter chegado, mais uma cerveja. O tom de voz deve estar muito alto. Só para me maltratar, sei que já devem ter recitado Vinícius. Aqui não tem Vinicius, nem Drummond, nem Quintana, mas ainda encontrarei outros.
Faz frio, daqueles que só amigos esquentam.
Não entendo muita gente, não entendo muitas ações e reações de muitas pessoas. Não sei se devo entender, não sei se preciso entender. Sei de mim, do que eu gosto, do que me faz bem.
Prometo pra mim mesmo não pensar nas reações que meus carinhos e amores podem gerar. Isto não cabe a mim. Se não me entendem, ou se me recebem diferente do que esperava, não tenho nada a fazer. Só me preocupo em não me endurecer.
Provavelmente com a próxima cerveja virá mais um maço, ou dois. Sei que o que falam não vem da bebedeira, vem de dentro, a cerveja só ajudar a pintar o quadro, a mostrar a beleza.
Nosso parabéns é diferente, não é repetitivo. Outro dia falo disso, não nesta data querida.
Foi um privilégio!
(English version: http://wordsbytheworld.blogspot.com/2009/05/grey-day-in-minneapolis.html)
segunda-feira, 23 de março de 2009
Só Uma Explicação
Para te escrever o verso mais bonito, percorri todos os caminhos por que passei, juntei todas as palavras que encontrei perdidas, mas só formaram tristeza.
Andei pelos caminhos que tu passaste, por todos e juntei as que deixaste. Algumas penduradas em varal, ainda pingando o amor que sobraram sobre elas sem ser usado, desperdiçado, secando ao sol. Só desilusão.
Não havia nem no meu nem no teu caminho palavras que pudesse usar. Nenhuma das que vi me trouxeram alegria. Nos nossos passados, pouco vi, só desperdício, palavras amáveis plantadas sob pedra, desejos quarando no quintal.
Para te escrever não encontrei palavras. Terei que escrever com as nunca ditas, com as que não usamos ainda, com as que diremos. Nossa poesia nascerá amanhã, ontem não havia.
Hoje só te escrevo esta prosa, quase desculpa, explicação pelo que ainda não existiu, pelo que não vivemos. Amor, só amanhã.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O Palhaço Nu
Estava ali, sozinho, no centro do palco, luzes nele, quando se viu assim: nu, sem o nariz.
Nunca a platéia fora tão grande, nunca tantos olhares se dirigiram para ele. E ele ali, nu, e a platéia e as luzes e o palco enorme à sua volta. E ele, centro da vergonha.
E riam e todos riam e riam muito. E ele não achava graça alguma. Só vergonha e constrangimento. E riam às gargalhadas dele.
Quanto maior seu constrangimento, quando maior sua vergonha, mais riam.
Ele só fazia esconder seu nariz com as mãos, como Adão. E se sentia tão nu, ali no centro, mãos cruzadas sobre o nariz, que se viu trançando as pernas, encolhido: algo além do sexo estava exposto.
Estava ali, totalmente desnudo e, em troca, recebia risos, os risos que ele nunca quisera.
Já sem saber como sair daquela situação, viu uma criança escapar da platéia, correr ao seu encontro e lhe pular nos braços. E foi obrigado a tirar as mãos do rosto, para que a menina não caísse e, assim, lhe pegou no colo.
Ela o olhou bem dentro dos olhos e sorriu:
- Sr. Palhaço, o senhor não precisa ter vergonha. Nós te amamos além do nariz. Não é ele que te faz palhaço.
Ele sorriu, meio desapontado, constrangido, sorriu.
Ela subiu as mãozinhas até seu nariz, para lhe tapar. Suas mãos formaram uma conchinha sobre ele. Bem redondinha.
Depois lhe olhou novamente e sorriu.
Suas mãos eras vermelhas, brilhantes, seus olhos também.
- Palhaço, vai, ria, faça com que riam contigo, da tua arte e nunca mais de ti, da tua vergonha.
E, enquanto falava, ela foi sumindo. Restaram suas mãozinhas vermelhas, restaram seus olhinhos, sempre à sua frente. Sempre que hesitava, os olhinhos da menina anjo estavam ali, sorrindo, incentivando, lembrando que ele devia seguir adiante.
E o palhaço sorriu e riu e gargalhou. E foi tanta alegria, que toda platéia chorou.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Diálogo da Criação
- Nada, mais um que morreu de velho.
- Eu já lhe disse... isso não vai dar certo.
- Mas eu não entendo. É tão simples: é só ir lá e comer, mas eles não comem.
- Senhor, por favor, pare de ser ingênuo. Já estou cansado desta história.
- Mas o que eu posso fazer mais? Chamo-os aqui e digo para se sentarem e comerem que eles serão heróis?
- O Senhor já fez isso. Gastou toda a série AA e eles só ficaram observando. Na série AB, colocou uma ajudante e nada. Na série AC, começou a mandá-los comer e nem assim. Quem sabe agora, na série AD, o Senhor os proíbe?
- Não, não adiantará.
- Por que não?
- Porque não, oras. Eles me obedecerão. Como toda natureza, eles me obedecerão. Que inferno!
- Mas por que não obedeceram antes?
- Não sei. Ficavam pululando, felizes, como gazelas, se jogavam nos rios, brincavam com os outros animais e se esqueciam. E olha que fiz de tudo. Coloquei até em pacotes bonitos, fiz barras de chocolate, quindim, brigadeiro e nada.
- Senhor, andei pensando no seu caso. Se quiser, posso lhe ajudar.
- Por favor, por Deus, preciso de ajuda, sim. Estou desesperado. Não sei mais o que fazer. Acho que a humanidade nunca existirá. Definitivamente, errei no meu projeto.
- Calma, Senhor. Desesperado aqui estou eu, que já contratei milhares de anjos e demônios e nada da tal raça humana surgir. Cadê as tais cidades, as intrigas, os amores, as traições? Cadê a tal civilização que me prometeste? Cadê? Não consigo imaginar como será isso: todos iguais e com vergonha um do outro. Cada um pensando que é melhor ou pior do que seu igual, mesmo sabendo que não são. Não vejo como será possível. E aquela outra história, então, que quererão ter coisas. Como se pudessem realmente ser donos de algo e julgarão isto importante, mesmo tendo consciência de que morrerão. Acho isto impossível, estou pagando para ver, Senhor. Um morrendo do lado do outro, e o outro sem fazer nada e imaginando, sei lá como, que isto nunca lhes passará e se considerarão inteligentes, racionais. Senhor, francamente, este seu projeto nasceu morto. Mas, mesmo assim, estou disposto a lhe ajudar, quero ver essa tal humanidade.
- Já lhe disse, confie em mim. Meu projeto é perfeito. Depois que comerem do doce, tudo começará. Só não imaginei que seria tão difícil assim fazê-los comer do tal doce.
- Mas também, o Senhor cria um bicho tão burro para o que o projeto funcione, ai fica difícil... mas darei um jeito.
- Como?
- O Senhor promete me obedecer?
- Se eles comerem o doce...
- Vai me obedecer e seguir minhas instruções? Todas?
- Eles vão comer?
- Vai ou não vai me obedecer?
- Que diabo! Obedecerei. Pronto, está feliz?
- Então vamos lá. Primeiro, pare com esta história de doce, de chocolate, de coisas boas e apetitosas. Este bicho é burro, coloca isto na sua cabeça. Ele aprendeu que tem que comer frutas, então só comerá frutas. Faça uma fruta para ele comer.
- Mas já fiz isso, na série AA ainda, não lembra? Fiz uma maçã, uma banana...
- Não, tem que ser uma fruta diferente. Para que ele vai querer uma maçã, ou banana, se está cheio delas por ai? Faça uma fruta diferente.
- Fruta diferente...
- Sim. Como são uns idiotas, chame-a de Fruta do Conhecimento.
- Não gostei! Fruta do Conhecimento... esta fruta não existe.
- Claro que não existe, mas é justamente por isso, para ser novidade, diferente... faz uma fruta bem bonita, vistosa, redondinha, vermelha, quem sabe... e coloque um nome assim, bem comercial.
- Hummm, bem comercial... que tal Fruto do Conhecimento do Bem e do Mal, hein?
- Do bem e do mal? Pra que isso? Que coisa ridícula!
- Ah, não sei também, mas me soou tão bem...
- Tudo bem, deixa assim mesmo, pode ser esse nome ai. Então coloque numa árvore bem no meio do jardim, que é para facilitar, para esta anta achar. E lembre-se, o principal, proíba-os de comer!
- Mas e se eles me obedecerem?
- Senhor, deixa que estou terminando de dar uns retoques na série EV da fêmea. O Senhor já errou muito. Perdi a paciência. Sem essa de fazer uma fêmea só para procriar e ser parceira. Não, nada disso. Deixei-a muito mais inteligente e astuta que o macho. Tão inteligente que parecerá que obedece ao macho, quando, na verdade, é ela quem manda.
- Sério? Que diabólico isto! Adorei! Como foi que você fez?
- Isto é segredo. Não direi. Mas lhe prometo, essa fêmea não falhará como as demais. Se seus machos continuarem pasmados, ela tomará uma atitude. Aposto que não chegaremos à EV-B.
- Acho difícil. Já lhes prometi até que serão sagrados, heróis e reconhecidos eternamente pela coragem e por serem os fundadores da humanidade...
- Não! Não faça isso! Pare com essa história, já lhe disse. Prometa que serão malditos se o fizerem. Que será o maior pecado do mundo!
- Pecado?
- Sim, pecado.
- O que é isto?
- É algo que criaremos para quando quisermos que a pessoa se sinta culpada por algo que fez. Diremos que fez um pecado. Com o tempo, esta palavra ganhará tal força, que pessoas se matarão por causa dela.
- Sério mesmo? Como você bola estas coisas divinas?
- Senhor, enquanto fica ai brincando com esse tal de homem que não funciona, eu fico pensando nas soluções, em como será e ai, sabe como é...
- Cabeça vazia é oficina do diabo!
- Exatamente! Senhor, tive uma idéia melhor ainda, diga que eles morrerão.
- Mas e ai? Terei de matá-los?
- Senhor, por favor, pelos céus, pare de ser ingênuo!
- Mas se eu mentir, como confiarão em mim?
- Não se preocupe, não é mentira, é só uma forma de dizer. Depois criamos igrejas que explicarão isto para eles.
- Igrejas? O que é isto? Mais uma de suas invenções diabólicas, aposto.
- Sim, mas deixe isso pra depois. Só usaremos se realmente for necessário, se a coisa ficar feia lá embaixo. Será lá, nas igrejas, que se criará a culpa, farão absurdos, distorcerão suas palavras, farão gato e sapato com as pessoas, e elas ainda se sentirão gratas e pagarão por isto...
- Gostei! Só espero que não usem meu nome em vão... Você é genial mesmo!
- Viu... o Senhor sabe que está em boas mãos... Bem, vamos lá... coloque seu AD-A no jardim, que já já chego com minha EV-A. Ah, mais uma coisa, pare com essa história de chamá-los de homem e mulher. De macho e fêmea. Chame-os pelos nomes.
- Nomes, que nomes? Eles não tem nomes. E pra que isto?
- Para se acharem importante, oras. Não quer que sejam diferentes dos demais, então, lhes dê um nome.
- Mas que nome darei?
- Hummm, deixa eu ver... que tal, aproveitar que os códigos deles são sonoros... e chamar o macho de ADA... não... não gostei, é meio feminino... ADÃO, ÃO, bem machão... acho que ele gostará. Enfatize bem o ÃO, quando pronunciar seu nome. E a fêmea... deixe-me ver... acho que pode ser EVA mesmo, é um bom nome e até é bom para chamar... EEEEVAAA... é, fica bom, não acha?
- Está bom. Adão e Eva, então.
- Isto. Ah, já estava me esquecendo. Pare também com essa história de colocar animaizinhos bonitinhos para oferecer o doce, ou melhor, a fruta agora para eles. Aquela vez que aquele cachorrinho apareceu falando e eles saíram correndo de medo eu quase morri de rir. Além do que, vamos combinar, é ridículo, hein. Gatinho, ursinho, esquilinho... por favor!
- Mas se eu não colocar nada para chamá-los, como acharão?
- Coloque então uma cobra, uma serpente, que tal?
- Uma serpente? Mas ai é que não chegarão nem perto.
- Quer apostar? O Senhor não conhece a mulher que estou criando.
- Tudo bem. Aposta feita. Fruta no lugar de doce, cobra no lugar de animais dóceis e ainda por cima, com proibição de comer. Ficaremos aqui uma eternidade até que algum deles se atreva a comer.
- Acredite em mim, Senhor. Deste casal não passará, estou confiante. Não precisará criar nem o AD-B e nem a EV-B.
- O que você quer apostar?
- Se o Senhor seguir todas minhas dicas e este casal comer a fruta, poderei me divertir com eles também?
- Tudo bem, combinado. Promessa feita. Tudo em nome da humanidade, minha grande criação.
"Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer" ([1]).
- Muito bem, Senhor, gostei do jeito imponente que você usou para falar com eles. Ficaram até com medo.
- Duvido que isto dará certo.
- Espera só um pouquinho... olha lá... a Eva conversando com a serpente... não lhe disse? Agora é só esperar o Adão e pronto. Tudo resolvido... vai lá agora e faz voz de bravo, dá uma bronca neles, joga eles na Terra e vamos comemorar, que a festa vai começar!
[1] Gênesis 2, 16-17
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Benjamin Button
Assisti há pouco o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Para quem não sabe do que se trata, é um “drama baseado no clássico conto homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald nos anos de 1920, que conta a história de Benjamin Button, um homem que nasce um bebê velho - na New Orleans de 1918, quando a Primeira Guerra está chegando ao fime - e misteriosamente começa a rejuvenescer” [1]
Isto mesmo, simples assim, alguém que conta o tempo de trás para frente. Como prega um texto atribuído a Charles Chaplin e que rola aqui pela Internet. Alguém que nasce velho, com artrite, pele enrugada e, inexplicavelmente, rejuvenesce dia-a-dia, como envelhecemos.
Sim, recomendo, podem ir assistir e não se assustem, quando virem que eles tem duas horas e quarenta e cinco minutos de duração. Passará rápido, muito rápido, como todo filme bom, posso garantir.
Mas não vim aqui só para fazer propaganda do filme, mas para falar do que pensei durante o mesmo, um pouco só.
Sabe, não faz diferença, o tempo passa, é tudo muito rápido, o que faz de cada momento muito importante. Muito disso é dito e repetido por ai, mas parece que não acreditamos de verdade. Parece que não nos damos conta que aquele momento pode ser, se não o último, o único.
Nunca mais nos encontraremos no mesmo dia, na mesma idade, com a mesma oportunidade. Pessoas vêm e vão por inúmeros motivos e podemos não prestar atenção na importância delas hoje, agora, quando estão aqui, do nosso lado, ao nosso alcance, seja pelo telefone, e-mail, sei lá.
Se vamos envelhecer ou remoçar, faz pouca diferença, o que importa é que vamos, sim, no tempo e no espaço. Quando se vê, já foi. A palavra mal dita, mal entendida, deixada assim, pode ser a última. A oportunidade e a disponibilidade também.
Tem vezes que chegamos no último dia, tem vezes que chegamos um pouco depois.
O que fica disso tudo? O que vale? Não sei.
No filme, há um amor desencontrado e fiel, à sua maneira, às últimas conseqüências, mas não é nada do que vocês estão pensando.
Há um carinho, um cuidado, e, por vezes, um simples aceitar, pois não há o que se fazer, é assim.
Ah, e não esqueçam do lenço.
Foi um privilégio!
[1] Fonte: ePipoca (http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=19351)
sábado, 1 de novembro de 2008
Doces ou Travessuras
Pelo que pesquisei, o Dia das Bruxas, como é chamado aqui no Brasil, assim como vários feriados e datas ‘cristãs’, tem origem há muitos séculos, nos costumes celtas e ‘pagãos’. Depois tentou-se uni-los a datas católicas na política ‘se não podemos ir contra, unamo-nos a eles’, pelos Papas Gregório III e Gregório IV, que mudaram do dia 13 de maio, para o dia 01 de novembro as comemorações do dia de todos os mártires, adaptando o nome para o mesmo provável nome pagão: Dia de Todos os Santos.
Deixando esta parte chata de lado, quero falar sobre a frase que é dita pelas crianças às portas das casas: Doces ou travessuras, como foi traduzido para o português.
Esta é a questão, a ameaça. Você pode escolher entre dar doces e as crianças irem embora, para a próxima casa, ou deixá-las fazer as travessuras. Dizem que, no início, uma melhor tradução seria algo como: doce ou charada.
Ou seja, uma bruxa, uma fada, uma criança, enfim, bate à sua porta e você tem duas opções: se livrar dela, dando-lhe logo um doce, ou se expor e brincar com ela, ficar sujeito à travessura que ela queira fazer, ter que decifrar a charada que ela lhe propor.
Independentemente do Dia das Bruxas, da crença ou não, da origem pagã ou cristã, pouco importa, a pergunta é: frente a um desafio, frente ao novo, ao desconhecido, o que você prefere: dar um doce, ou aceitar o desafio?
Não vejo mal nenhum em dar um doce, até acredito que seja o que as crianças preferem, mas o convite é para as travessuras. Não pagar para se livrar, não fazer o óbvio, mas aceitar o novo e topar a travessura, seja ela qual for e brincar junto.
Foi um privilégio!
