Bonsais
[Primeiro lugar no Prêmio Barueri de Literatura 2016] Não há como evitar. Toda manhã quando estou caminhando para o trabalho e passo pela esquina da Summit Avenue com a Moore Street, olho para a minha direita, para a próxima esquina. É um movimento quase automático e inconsciente que faço – mas faço – como se estivesse verificando se aquele prédio marrom de três andares ainda está ali. Creio que é como se eu ainda tivesse alguma esperança de ver nossa vida de volta àquele lugar. Entretanto, sei que o tal lugar que quero de volta não é aquele: o lugar que quero de volta não é um espaço físico; o lugar que quero de volta, para viver novamente, é um lugar no passado, num período de tempo que já se foi, mas que ainda não terminou nas minhas memórias e sonhos. Agora, durante os primeiros dias de outubro, quando as árvores das ruas estão mudando de cor, vindo de verde para tons de amarelos, marrons e uma variedade inacreditável de vermelhos, nosso prédio parece ser parte do ambien...