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Mostrando postagens de 2008

Doces ou Travessuras

Só um pouco de curiosidades, para começar. Há duas hipóteses para a origem do nome Halloween: uma delas vem do inglês, pois “Hallowed” é uma palavra do Inglês antigo que significa “santo”, e “e’en”, também de origem inglesa, significa “noite”, então o significado é “Noite Santa” ou “All Hallows Eve”, “Noite de Todos os Santos”. A outra origem vem de hallowinas: nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte. Pelo que pesquisei, o Dia das Bruxas, como é chamado aqui no Brasil, assim como vários feriados e datas ‘cristãs’, tem origem há muitos séculos, nos costumes celtas e ‘pagãos’. Depois tentou-se uni-los a datas católicas na política ‘se não podemos ir contra, unamo-nos a eles’, pelos Papas Gregório III e Gregório IV, que mudaram do dia 13 de maio, para o dia 01 de novembro as comemorações do dia de todos os mártires, adaptando o nome para o mesmo provável nome pagão: Dia de Todos os Santos. Deixando esta parte chata de lado, quero falar sobre a frase que é dita ...

Ensaio sobre a cegueira

“muita luz também provoca cegueira” Olha só, Assisti a este filme nesta semana. Recomendo. Não é do tipo de filme para se assistir com pipoca e coca-cola. É para se assistir em silêncio. Não é programa de família, filme para se ver com a namorada. É para se ver sozinho, mesmo que acompanhado. Cada um consigo mesmo. É filme para se ver. Depois, se possível, vale uma cerveja, um vinho, um chimarrão, café, o que for, para captar devagar o que foi visto, o que foi tocado. Por favor, quando assistirem, não saiam da sessão e comecem imediatamente a falar, explicar, tentar entender tudo o que foi visto. As duas horas podem ser poucas, para se absorver tudo. Em termos de história, início, meio e fim, não tem nada de mais, confesso. Não me surpreenderia se me dissessem que a acharam meio boba. E acho isto irrelevante, afinal é obviamente metafórica. O que me tocou no filme não foi a história, a narrativa cronológica dos fatos, de forma objetiva, até porque é um tanto quanto inverossímil. O que ...

No dia em que descobri que não tinha ninho

Dias depois que aprendi a voar, vivi um dia muito triste, um dia muito forte, muito intenso. O dia em que descobri que não tinha ninho Neste dia, acordei e voltei a sentir medo. Parecia que eu desaprendera. Parecia que eu nunca voara, que só tinha aproveitado algum vento forte, eu achava. Mas isso já fazia dias e eu estava ali, no dia em que descobri que não tinha ninho. Olhei para o mar, que não acabava mais, e lá no fim fazia volta e começava a subir, mas ai já era céu, eu achava. Mas era um céu tão azul, que se confundia com o mar celeste e eu não sabia identificar onde terminava um e começava o outro. Era tudo uma coisa só a iniciar ali na minha frente, ir até o fim e depois fazer a volta sobre minha cabeça. No dia em que descobri que não tinha ninho, eu também não sabia como chegara até ali. Provavelmente voando, não sabia como e nem sabia onde estava. Só sabia que neste lugar havia um mar azul da cor do céu e um céu azul, bem azul, como o mar da minha frente. Só sei que neste lug...

Ao Acaso

Naquela manhã, assim que a lua nasceu, sai para caminhar. Sai a andar pela praia, para ver se te encontrava, por acaso. Já fazia quase um mês que passava pelo mesmo lugar que nos conhecemos, na mesma hora, para tentar, novamente, te encontrar por acaso. Nosso acaso já tinha acontecido uma vez, mas faltara algo, e eu precisava de mais uma chance, só mais uma, para dizer o que eu queria. Um simples encontro fortuito resolveria tudo, mas ele não acontecia. Durante o dia, eu acabava por esquecer, ao me envolver com outros assuntos, mas era só amanhecer, assim que eu acordava e via a luz da lua, me lembrava de ti e tinha que sair novamente a caminhar, a buscar nosso novo encontro ao acaso. Depois que te vi, que te conheci, meu mundo mudara. Nada mais brilhava tanto como tu, nada tinha tanta luz, nada mais guiava meus dias. Olhar diretamente para o sol já não me causava mal algum aos olhos, que já tinham passado por prova maior: olhar diretamente nos teus. A partir daquele dia, o que via nas...

Quantas aves há na nossa frente?

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Olha só, Você já ficou parado a acompanhar uma ave voando? Só alguns segundos, até ela sumir? Se ainda não o fez, podes imaginar: no céu, uma ave, a que quiser, voa. Você a acompanha com os olhos, enquanto ela vai, cada vez mais distante. Num milésimo de segundo, ela some. Você sabe que ela ainda está por ali, mas ela sumiu. Nisto chega alguém, eu, e você, com entusiasmo, diz que há uma ave ali, bem ali, ma que não dá para ver. Eu acreditaria? Alguém acreditaria? Segundos depois, até você começa a duvidar da existência dela. Você que a viu, a acompanhou, passa a achar que ela já foi, que não existe mais. Quantas vezes, quantas aves já vimos, acompanhamos até sumir, cada batida de suas asas e depois duvidamos de sua existência? Falo só de nós, que já comprovamos que ela existe, nem ouso falar daqueles que nunca a viram, que tentamos convencer. Olho para o horizonte, para o mais distante que posso e penso, imagino: quantas aves há ali, na minha frente, e eu não vejo? Quantas já vi e agor...

Estrada do Sol

Olha só, Não é que me peguei chorando, ao ouvir o Expresso 25 cantando Estrada do Sol? “...os pingos da chuva que ontem caiu ainda estão a brilhar...” Tom Jobim, Dolores Duran e Expresso 25... muita arte junto... “... vamos sair por ai, sem pensar no que foi que sonhei, que chorei, que sofri...” Que privilégio ter acesso a isto tudo, que privilégio falar a mesma língua, que privilégio entender, que privilégio sentir. “A nossa manhã já nos fez esquecer, me dê a mão, vamos sair pra ver o sol...” Não sei se sei exatamente o motivo, mas desta vez me emocionei mais do que das outras. Terminou a faixa e começou a seguinte: “Cuidar dum pé de milho, que demora na semente...” Falar o quê? Não há nada para entender, só sentimento. Então, ou se sente, ou não. Agora a música é Lambada de Serpente, de Djavan: “Quem tem amor ausente já viveu a minha dor.” Foi um privilégio!

Fotografia e Realidade

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Olha só, O fotógrafo não nos mostra, em suas fotos, a realidade. Apesar disto, ele nos mostra uma realidade. Não há um compromisso com a verdade, mas com a arte, que sempre mostra uma verdade, sim, ou a do fotógrafo, ou a de quem vê a foto. Quem vê a foto vê um ângulo, um pedaço, um ponto de vista que não necessariamente é o mesmo que ele viu. Às vezes o que ele vê é só uma parte, às vezes sob algum efeito de lente, ou de luz, ou de um zoom, mas sempre com o que cada um traz dentro de si, que se reflete na foto que se vê. Num parque florido, ele pode fotografar uma pedra e pensarmos que só havia pedras no parque. E ao contrário, em algum lugar muito feio e pobre, ele pode encontrar um pequeno detalhe que seja bonito, seja pelo ângulo, ou o que for e nos fazer pensar que tudo era lindo. Em ambos os casos, o fotógrafo não mente, apenas mostra uma perspectiva, um pedaço, um olhar sobre o todo. Não podemos, ao conhecer a realidade, sob nossos olhos, reclamar com o fotógrafo, por ...

Não é favorável ir a parte alguma

Olha só, Há algumas semanas, escrevi um texto chamado “É favorável atravessar a Grande Água”, expressão muito utilizado no I Ching e o texto nasceu a partir desta frase e sugeria ação, sair do lugar, ir adiante e não olhar para trás. Outro conselho que às vezes encontramos no I Ching é: “Não é favorável ir a parte alguma”. Quase que oposto ao anterior, este é mais intimista, mais quieto, mas não sem ação. Não é um simples não fazer nada e esperar para ver no que vai dar, sem ação alguma. É uma ação, sim, não ir a parte alguma, ficar em si, se concentrar e esperar o tempo correto. É o que se fala à semente, antes dela brotar. A ordem, o conselho é manter-se quieto e respeitar as leis da natureza, mas em vigilância, pois a qualquer momento poderás brotar. O homem do campo que é conhecedor da sua lida e sabe controlar o tempo e sua plantação é aquele que planta na época certa, para colher na época certa. É o que sabe esperar o tempo de plantar, o de cuidar e o de colher, sem apressá-los e...

Hoje eu Sinto Alegria

Muita alegria, às vezes, dá uma tristeza... Olha só, Agora estou sentindo muita alegria, mas é estranho. Acredito que não devia estar assim. É uma alegria tamanha e sem motivo, que me deixa nervoso. Ainda há pouco, sentia melancolia, tristeza profunda e agora, de repente, esta alegria! Alegria por saber que posso ser triste também, será? Alegria por me sentir vulnerável, inconstante e levemente destemperado... pode ser... E esta alegria me aperta e altera minha respiração. Deve ser por ser alegria de estar sozinho e de não querer ser alegre. Talvez alegria do fim alcançado, sem querer chegar ao fim. Como me sentir feliz com esta alegria que me invade, se ela está aqui sem eu querer, sem me preparar para isto, sem saber o motivo e não ter nem como brindá-la? Alegria assim não me serve, não me deixa feliz, só me deixa ansioso ao tentar descobrir o que ela faz por aqui. Será que ela não tinha outra pessoa para incomodar? Se ela me deixasse em paz, na minha monotonia, seria ...

É Proibido Pisar na Grama

Olha só, Tenho me perguntado por que é proibido pisar na grama. Nunca vi um cachorro, nem mesmo um cavalo, ou qualquer outro animal se preocupar em não pisar na grama. Será que eles não a machucam também? Se é que é este o problema. Será que em sua sintonia, em sua harmonia natural, cometeriam um erro gritante assim? E mais, será que a grama se ofende? Será que assim se dará a extinção da grama? E nós, seres humanos civilizados? Por que o pudor? Por que esta estranha educação? Tudo bem, concordo com o cuidado, o mesmo que devíamos ter com tudo e que nem sempre temos. Mas, neste caso específico, algo me incomoda e questiono: não podemos pisar na grama ou no jardim? Qual o real problema: a vida da pobre grama indefesa ou a estética oficial de um jardim bem cuidado, melhor dizendo, de um jardim com boa aparência, que não necessariamente é aquele onde as plantas, as vidas, estão em maior e/ou melhor harmonia? O que vejo por trás desta proibição é a real preocupação escondida. E pior do que...

Sambando na Lama

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“ Sambando na lama de sapato branco, glorioso ” (Chico Buarque de Hollanda) Olha só, Há 20 anos ouço esta música e ela, de certa forma, me incomoda. Sempre me pergunto o significado disto, que me parece ser algo além do óbvio. Por que na lama? E por que de sapato branco? Pensei em algumas explicações, sem saber qual é a correta, sem nem mesmo saber se existe uma correta. Acredito que não. Umas das explicações que achei foi a de mostrar o desprendimento do artista, que não se preocupa com o sapato branco e samba mesmo na lama. O sapato eu limpo depois, agora vamos sambar. Outra seria da paixão pela arte. Quem sabe a leveza do artista que samba sem sujar os sapatos. Ou que não se importa com a roupa, com o lugar, sapato branco na lama, tanto faz, quero fazer minha arte. Se o que a vida me oferece é um sapato branco na lama, vamos lá. E uma outra explicação que me ocorre agora vem do comprometimento. Ele está lá para sambar. Colocou seu melhor sapato, de salão,...

Modéstia

Olha só, Lá fora a lua está crescente. Até o final da semana estará cheia, mas não por muito tempo. Não há novidade alguma nisto. O próprio sol, que há poucas horas estava lá em cima, no seu auge, já está baixando, quase sumindo no horizonte e ainda vai baixar mais, mas não por muito tempo. Assim também as águas correm do topo das montanhas até o mais baixo dos rios, mas não por muito tempo. Logo evaporam e voltam ao topo, às nuvens. Ou fluem em fontes nos mais altos picos. E o movimento é este, em tudo. Montanhas sofrem erosão e vão preenchendo os vales. E assim, ao invés de se sentirem superiores, dividem. E depois brotam do fundo da terra novamente. Este é o ciclo natural da vida, da lua, do sol, das águas, da terra. Melhor entendido e aceito por eles do que por nós, racionais. A natureza ali, cheia de exemplos a nos ensinar, mas não prestamos atenção. Há muitas lições nesta obviedade. Penso agora na modéstia. Modéstia de todos, principalmente ao chegaram ao apogeu, ao...

Meu estilo de escrever

Olha só, Vieram me perguntar qual era o meu estilo de escrever. É simples: escrevo palavras, uma depois da outra, com um espaço no meio. Sim, com espaço, ele é fundamental. Sem o espaço, ficaria tudo emendado, sem sentido, com espaço em lugares errados, pior ainda. É como uma pausa, um tempo. Entre uma palavra e outra, entre uma atividade e outra, sempre é necessário um espaço. Às vezes, as palavras vão se juntando e preciso de espaços maiores, as vírgulas, em outros casos, de mais espaço ainda, os pontos finais. Por vezes, acho que convém mudar de linha e reiniciar minha seqüência de palavras num outro parágrafo e, às vezes, melhor mesmo é terminar aquele texto, trocar de papel e começar um novo. Na vida é igual, sempre é bom um espaço, sempre é aconselhável uma pausa, seja uma vírgula, um ponto e vírgula, às vezes, reticências. Tem horas, que melhor é colocar um ponto final e começar novamente, num novo parágrafo. E não tenham medo de terminar o texto e começar numa nova fo...

Flexibilidade

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Olha só, Não só na Ioga, mas em vários outros métodos de atividade corporal (vou chamar assim, para generalizar várias técnicas que conhecemos, sem desrespeito a nenhuma), assim como em várias filosofias, aprendemos que precisamos ter flexibilidade. Aprendemos também que para ter flexibilidade é necessário equilíbrio. Ser flexível é ser adaptável e não ser frouxo. É estar desperto, pronto, mas não rígido. Temos a ilusão e a busca por uma tal estabilidade em nossa vida, no trabalho, na família, nos relacionamentos, etc. Estabilidade esta que não há, não existe em nada. O que é duradouro? Trinta anos no mesmo emprego? Isto é estabilidade? Cinqüenta anos de casamento? Isto é para sempre? O que são trinta, cinqüenta, oitenta anos, que seja? É sério, isto não é nada. Quando se vê já foi, já era, já passou e cadê a estabilidade? Quem disse que isto é o melhor? Quem disse que há um melhor? Onde está a receita, que eu não achei ainda? Eu, pelo menos que eu saiba, nasci sem manual d...

Culto ao Copo

“Os copos muito feios que me perdoem, mas uma taça digna é fundamental” Olha só, Vivemos, acho que mais do que nunca, o culto ao copo e à garrafa. Sim, ao copo, à taça e à garrafa. Parece que mais importante do que o vinho que vai dentro, o que querem é uma taça bonita, uma boa apresentação. Copo de requeijão nem pensar! O vinho nem precisa ser lá essa coisas. Para alguns basta ser vinho, desde que servido numa bela taça de cristal, bem trabalhada e saído de uma garrafa com estilo. Afinal, o que vale é o status que passa para quem o vê bebendo. É claro que uma taça de cristal tem o seu valor... não sou louco de discordar disso, mas o principal é o vinho. Ou melhor, para mim é. Concordo que o ideal é um belo vinho numa bela taça. Sinceramente, acredito que até o gosto mude. Se a garrafa tiver seu estilo, melhor ainda: é agradável e fica bonita na adega. Acho que o que mais me incomoda não é a preocupação com o copo, com a taça, com a garrafa, mas a falta de preocupação e de zelo com o v...

Música da Amizade

Olha só, Para mim, amigos são como notas musicais. Sim, notas musicais, cada um é uma delas. Alguns são Dó, outros Ré e assim por diante. E há os sustenidos e os bemóis também, não esqueçamos. Quando estamos com eles, conforme nos conhecemos e ampliamos nossa rede de amizade, criamos lindas melodias, mas só quando juntos, em vários, é que criamos os acordes e as harmonias. Devemos cuidar sempre deste aspecto: cada um é uma nota. E como tal, podem ser consonantes com algumas e dissonantes com outras. Ré é consonante com Sol, que é consonante com Dó, mas Ré e Dó não se dão, são dissonantes. E Sol não tem nada a ver com isso, oras. Então, ele que não os force a ficarem juntos, ou, se assim o fizer, saiba da dissonância que está criando, e agüente. Se pensarmos numa música inteira, disssonâncias são válidas, até recomendadas, mas ficar assim o tempo todo... O que fazemos é isto: procuramos estar com quem se harmoniza melhor conosco, mas não precisa haver nada de errado com o outro. Dó e Ré...

É Favorável Atravessar a Grande Água

No I Ching, várias vezes encontramos este conselho: “É favorável atravessar a grande água”. Normalmente a interpretação que se faz é que se deve ir em frente, seguir na empreitada, que tudo estará abençoado. Conforme a tradução, a interpretação pode mudar um pouco, mas sempre remete à coragem, ao desafio, a não se desviar do caminho em que se está, ou algo do tipo. E, principalmente, ao sucesso que essa atitude trará. Não quero dar nova interpretação, nada disso, mas para mim, com todo respeito, sempre que leio este conselho, o que me vêm à cabeça é como que uma ordem: ‘Pega suas trouxas, e se mande! Só pare quando chegar do outro lado do oceano. E lembre-se da mulher de Ló: nada de olhar para trás. Vá!’. Lembro do Mar Vermelho, lembro da ‘Ponte’ de Lenine, e sempre a ordem é a mesma: atravessar, ‘a ponte é somente pra atravessar’. Pela ponte, com o mar aberto, de avião, navio, tanto faz, mas atravessar, sem hesitar. Pode parecer algo simples, simplista, eu diria, mas não é. ...

Festival de Teatro de Bonecos de Canela

Olha só, Estou assistindo ao Festival de Teatro de Bonecos de Canela. Confesso que a idéia me pareceu estranha num primeiro momento: sair de Porto Alegre e vir até Canela para passar todo o final de semana, abaixo de muito frio (muito frio!), para assistir teatro de boneco! Que estranho, que falta do que fazer! Mas, tudo bem, algo me chamava e cá estou. Não acredito que aconteça com todos, que a experiência seja assim, tão gratificante, para todas as pessoas, mas, para as que apreciam arte, sem dúvidas, o é. Nas peças, os temas são dos mais diversos, mas, em todas, mesmo nas que não gostei tanto assim, em todas, sem exceção, a magia está presente. Há um lúdico em cada boneco que nos tira da lógica tradicional e nos leva a outro mundo. Sim, vemos os manipuladores, sabemos que aqueles bonecos não têm vida, mas não vemos os manipuladores e percebemos a vida nos bonecos. Entenderam? Vou dar um exemplo: ontem à noite, numa das peças que mais gostei, um boneco fazia bolhas de sabão. Isto mes...

A Flor É Efêmera

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“A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.” Olha só, Li, na última semana, um livro de Nilton Bonder, chamado “O Sagrado”. Livro que recomendo, onde o autor faz um contraponto, para não dizer que vai totalmente contra o “O Segredo”, que está tão na moda (ou estava, quando este texto foi escrito). Mas este não é o foco agora, o fato relevante para este texto é que neste livro, enquanto o autor faz uma série de advertências sobre a pressa que temos para alcançar nossos objetivos, nossos sonhos e, por que não dizer, nossa insaciável busca de sempre mais, ele faz um paralelo com uma semente jogada junto a um rio, imagem esta que ele busca de uma passagem bíblica. Ao ler este trecho, me veio esta frase: “A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.” Frase esta que não me sinto à vontade para dizer que é totalmente minha, mas sim um resumo da idéia de um dos seus parágrafos. E é assim que somos, como flores, somos efêmeros, passageiros, quando se ...

Isabella e o Padre Voador

Olha só, Quem foi que disse que precisamos estar informados de tudo o que acontece? Por que precisaríamos saber do que está acontecendo em todo mundo, cada vez mais ‘na hora do fato’, cada vez mais ‘on-line’? Pra que notícias a toda hora? Na minha opinião, em grande parte, esta febre só serve para alimentar sensacionalismos, especulações e, creio sinceramente, muito pouco contribuem para a nossa vida. Por exemplo, pasmem, mas fiquei sabendo há poucos dias dos casos da menina Isabella e do tal padre voador. E, ainda assim, meio por cima, sob o olhar zombador de alguns amigos. E pergunto: que diferença fez para mim ou para quem não está diretamente ligado com a história ficar sabendo disto no dia em que aconteceu ou dias e meses depois? Ou ainda, nem ficar sabendo, e daí? Disseram que este caso monopolizou e ainda deve estar tomando conta de grande parte da imprensa, do noticiário e das conversas de muitas pessoas. Pra quê? Não sei maiores detalhes. E que diferença faz? Estava com a TV l...

Fronteiras

Olha só, Ontem assisti uma conferência do escritor manauara Milton Hatoum, aqui em Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento*. Logo no início de sua apresentação, ele nos contou uma história de uma conversa que teve durante o vôo de São Paulo para Porto Alegre e falou sobre a expressão ‘confins’, pois sendo ele de Manaus, lhe parece que o Rio Grande do Sul fica nos confins do Brasil e é exatamente o contrário, para quem vive aqui. Depois disse que confins é o limite, a extremidade, é onde tomamos contato com o outro país, ou seja o que for, é onde podemos ser expulsos ou acolhidos. Vou repetir, expulsos ou acolhidos. Em outra conferência, há quase dois meses, Edgar Morin também falou algo parecido, inclusive tentou nos estimular, ao dizer que quanto mais próximos do fim, mais próximos de um novo começo. Que o fim, que pode parecer algo triste e trágico, traz em si a maravilha de um novo início. Disse algo do tipo: quanto mais evoluímos rumo à catástrofe, mais nos aproximamos da metamor...

Escritos por Escrever

Meus amigos, Achei de bom tom iniciar este novo projeto, este novo blog, explicando, ou, pelo menos, tentando explicar, o porque do nome: escritos por escrever. Melhor do que explicar, acho que convém tentar entender. Este exercício farei junto com vocês, agora. Não sei exatamente como este nome surgiu, da mesma forma como não sei a maneira que surgem as idéias em minha cabeça. Mas, neste caso, não consigo sequer pensar em alguma etapa anterior, do tipo: eu estava pensando em tal assunto, daí vi uma determinada cena, que me levou a este nome. Não, nada. Apenas pensei em criar este blog e, ao criá-lo, a primeira pergunta foi: ‘Título do blog’. Foi ai que pensei: ‘poxa, não tem nome ainda’, e escrevi isto: escritos por escrever. Agora paro para tentar entendê-lo, leio-o em voz alta, para ver o que ele significa para mim e me vem, no mínimo, duas explicações à cabeça: a primeira me remete ao futuro, com uma conotação de o que ainda está por ser escrito, os escritos que estão por escrever....