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Mostrando postagens de outubro, 2008

Ensaio sobre a cegueira

“muita luz também provoca cegueira” Olha só, Assisti a este filme nesta semana. Recomendo. Não é do tipo de filme para se assistir com pipoca e coca-cola. É para se assistir em silêncio. Não é programa de família, filme para se ver com a namorada. É para se ver sozinho, mesmo que acompanhado. Cada um consigo mesmo. É filme para se ver. Depois, se possível, vale uma cerveja, um vinho, um chimarrão, café, o que for, para captar devagar o que foi visto, o que foi tocado. Por favor, quando assistirem, não saiam da sessão e comecem imediatamente a falar, explicar, tentar entender tudo o que foi visto. As duas horas podem ser poucas, para se absorver tudo. Em termos de história, início, meio e fim, não tem nada de mais, confesso. Não me surpreenderia se me dissessem que a acharam meio boba. E acho isto irrelevante, afinal é obviamente metafórica. O que me tocou no filme não foi a história, a narrativa cronológica dos fatos, de forma objetiva, até porque é um tanto quanto inverossímil. O que ...

No dia em que descobri que não tinha ninho

Dias depois que aprendi a voar, vivi um dia muito triste, um dia muito forte, muito intenso. O dia em que descobri que não tinha ninho Neste dia, acordei e voltei a sentir medo. Parecia que eu desaprendera. Parecia que eu nunca voara, que só tinha aproveitado algum vento forte, eu achava. Mas isso já fazia dias e eu estava ali, no dia em que descobri que não tinha ninho. Olhei para o mar, que não acabava mais, e lá no fim fazia volta e começava a subir, mas ai já era céu, eu achava. Mas era um céu tão azul, que se confundia com o mar celeste e eu não sabia identificar onde terminava um e começava o outro. Era tudo uma coisa só a iniciar ali na minha frente, ir até o fim e depois fazer a volta sobre minha cabeça. No dia em que descobri que não tinha ninho, eu também não sabia como chegara até ali. Provavelmente voando, não sabia como e nem sabia onde estava. Só sabia que neste lugar havia um mar azul da cor do céu e um céu azul, bem azul, como o mar da minha frente. Só sei que neste lug...