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Mostrando postagens de 2009

Que posso fazer se minha vida tem mais primaveras que outonos?

Não fui eu quem escolheu, mas foi assim que cresci e é assim que vivo. Acostumei-me a ver mais flores nascerem do que morrerem, espirrar mais devido ao pólen do que por resfriado, usar mais camisetas do que casacos. E prefiro tênis a sapatos. Nada demais, um simples All Star, calça jeans e camiseta branca já me deixam confortável, com sensação de estar adequadamente vestido para viver minha vida. Também vivi mais verões que invernos, mas isto não é o importante, é apenas conseqüência. Não que eu não goste de verões, assim como nada tenho contra outonos e invernos, mas apenas vejo-o como conseqüência da primavera, como o marco do apogeu da mesma. Três meses comemorando-a, celebrando a vida que ela nos trouxe. Por mais fria que seja, primavera é sempre primavera. Por mais diferente que seja, é onde me sinto bem, me sinto em casa, em qualquer lugar do mundo. Diferente da lua, que prefiro quando cheia, nas estações prefiro a crescente, a que leva ao sol. Na lua, o quarto crescente me dá um...

Dia cinza em Minneapolis.

Apesar de estarmos quase no verão, hoje a temperatura não passou dos 15ºC. Às vezes garoava. Em Uptown, um senhor me pediu dinheiro. Foi o primeiro, hoje. Já me pediram dinheiro em vários lugares, de várias formas. Diferente do Brasil, só na aparência. Aqui se vestem melhor, mas pedem dinheiro. Dois estudantes, pelo menos pareciam ser, em pleno campus da Universidade de Minnesota me pediram dinheiro na semana passada. Achei que fosse brincadeira, mas não era. Pouco muda no mundo daqui em relação ao que já conhecia. Negros e imigrantes de países pobres, latinos e asiáticos, fazem o serviço pesado. Isto pode explicar a simpatia. Dentro da dor e da delícia de se ser o que é, de se estar onde se está, passei o dia lembrando de uma amiga que faz aniversário hoje. A estas horas devem estar tomando uma cerveja. Devem estar no Mercatto. O cheiro de cigarro seria perfume para mim. Sim, já devem ter fumado muito. Devem estar bêbadas e falando alto. E mais um cigarro. E mais uma ...

Só Uma Explicação

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Para te escrever o verso mais bonito, percorri todos os caminhos por que passei, juntei todas as palavras que encontrei perdidas, mas só formaram tristeza. Andei pelos caminhos que tu passaste, por todos e juntei as palavras que deixaste. Algumas penduradas em varal, ainda pingando o amor que sobraram sobre elas sem ser usado, desperdiçado, secando ao sol. Só desilusão.  Não havia nem no meu nem no teu caminho palavras que eu pudesse usar. Nenhuma das que vi me trouxeram alegria. Nos nossos passados, pouco vi, só desperdício, palavras amáveis plantadas sob pedra, desejos quarando no quintal. moscas andando sobre elas. Para te escrever não encontrei palavras em nossos passados. Terei que escrever com as nunca ditas, com as que ainda não usamos, com as que ainda diremos. Nossa poesia nascerá amanhã, ontem não havia. Hoje só te escrevo esta prosa, quase desculpa, explicação pelo que ainda não existiu, pelo que não vivemos. Amor, só amanhã.

O Palhaço Nu

O palhaço perdeu o nariz e se sentiu nu. Estava ali, sozinho, no centro do palco, luzes nele, quando se viu assim: nu, sem o nariz. Nunca a platéia fora tão grande, nunca tantos olhares se dirigiram para ele. E ele ali, nu, e a platéia e as luzes e o palco enorme à sua volta. E ele, centro da vergonha. E riam e todos riam e riam muito. E ele não achava graça alguma. Só vergonha e constrangimento. E riam às gargalhadas dele. Quanto maior seu constrangimento, quando maior sua vergonha, mais riam. Ele só fazia esconder seu nariz com as mãos, como Adão. E se sentia tão nu, ali no centro, mãos cruzadas sobre o nariz, que se viu trançando as pernas, encolhido: algo além do sexo estava exposto. Estava ali, totalmente desnudo e, em troca, recebia risos, os risos que ele nunca quisera. Já sem saber como sair daquela situação, viu uma criança escapar da platéia, correr ao seu encontro e lhe pular nos braços. E foi obrigado a tirar as mãos do rosto, para que a menina não caísse e, assim, lhe pego...

Diálogo da Criação

- E então, Senhor, nada ainda? - Nada, mais um que morreu de velho. - Eu já lhe disse... isso não vai dar certo. - Mas eu não entendo. É tão simples: é só ir lá e comer, mas eles não comem. - Senhor, por favor, pare de ser ingênuo. Já estou cansado desta história. - Mas o que eu posso fazer mais? Chamo-os aqui e digo para se sentarem e comerem que eles serão heróis? - O Senhor já fez isso. Gastou toda a série AA e eles só ficaram observando. Na série AB, colocou uma ajudante e nada. Na série AC, começou a mandá-los comer e nem assim. Quem sabe agora, na série AD, o Senhor os proíbe? - Não, não adiantará. - Por que não? - Porque não, oras. Eles me obedecerão. Como toda natureza, eles me obedecerão. Que inferno! - Mas por que não obedeceram antes? - Não sei. Ficavam pululando, felizes, como gazelas, se jogavam nos rios, brincavam com os outros animais e se esqueciam. E olha que fiz de tudo. Coloquei até em pacotes bonitos, fiz barras de chocolate, quindim, brigadeiro e nada. - Senhor, an...

Benjamin Button

Olha só, Assisti há pouco o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Para quem não sabe do que se trata, é um “drama baseado no clássico conto homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald nos anos de 1920, que conta a história de Benjamin Button, um homem que nasce um bebê velho - na New Orleans de 1918, quando a Primeira Guerra está chegando ao fime - e misteriosamente começa a rejuvenescer” [1] Isto mesmo, simples assim, alguém que conta o tempo de trás para frente. Como prega um texto atribuído a Charles Chaplin e que rola aqui pela Internet. Alguém que nasce velho, com artrite, pele enrugada e, inexplicavelmente, rejuvenesce dia-a-dia, como envelhecemos. Sim, recomendo, podem ir assistir e não se assustem, quando virem que eles tem duas horas e quarenta e cinco minutos de duração. Passará rápido, muito rápido, como todo filme bom, posso garantir. Mas não vim aqui só para fazer propaganda do filme, mas para falar do que pensei durante o mesmo, um pouco só. Sabe, não faz diferença, o t...