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Mostrando postagens de 2025

Chicago, domingo, 26 de outubro de 2025

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O que veio do pó e ao pó voltará: o que é? Coloque para tocar Jorge Drexler – Polvo de Estrellas. O outono bateu forte aqui esta semana. Vários dias, quando caminho com os cachorros às seis da manhã, a sensação térmica está por volta dos zero graus Celsius, e com vento. Hoje, domingo, o dia está lindo. Apesar do vento frio, a temperatura deve estar por volta de dez graus, o céu está completamente azul, e é gostoso caminhar assim pela rua. Acabei de chegar em casa de uma caminhada com os cachorros. É quase meio-dia. Resolvi dividir com vocês algumas coisas que tenho pensado, como tenho feito ultimamente. Que isso não se torne um hábito. Nesta semana, tive que estudar um pouco O mal-estar na civilização , de Freud. Em algum momento, ele fala de um pacto civilizatório que, simplificando uma longa história, seria o pacto sob o qual vivemos, que, a grosso modo, diz:eu não te agrido e você não me agride. De certa forma, controlamos nossos instintos em troca dos outros controlarem os se...

Chicago, domingo, 19 de outubro de 2025

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Coloque para tocar Geraldo de Azevedo cantando O Ciúme . Hoje amanheceu chovendo. Na verdade, já chove desde ontem, por volta das 20:00, e agora já são quase meio-dia e o sol não deu as caras ainda, nesse dia da semana nomeado em sua homenagem. "Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia" Ontem, assisti ao musical Jesus Cristo Superstar, montagem da Roosevelt University. Mesmo sendo assim, atores e toda a produção composta por alunos, num palco elisabetano com apenas um cenário fixo e uma porta de correr ao fundo, uma banda pequena com instrumentos básicos, uma plateia onde deveria caber cerca de 200 pessoas, aparentemente composta de mais alunos, amigos e familiares dos envolvidos em cena; mesmo assim, foi fantástico. Provavelmente a presença desse público específico contribuiu muito, pois estavam em estado de êxtase desde o início e, por várias vezes, interromperam a apresentação com intermináveis aplausos ao final das cenas, com gritos, ovação e até mesmo aplausos de pé não des...

Chicago, domingo, 12 de outubro de 2025

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A trilha de hoje é Esquadros, na voz de Adriana Calcanhoto. Pode ouvir inteira, mas o foco é a partir do minuto 1:05. 12 de outubro: Dia das Crianças, Dia do Descobrimento da América, Dia de Colombo, como chamam por aqui. O dia da invasão. O dia em que um povo, por se achar mais "desenvolvido" (entre todas as aspas possíveis) só porque tinha melhores armamentos, chega a uma terra e decide que é sua. E está tudo bem, ninguém questiona. E assim vivemos. Quem tem mais armamentos escreve a história, o assassino final é o herói. Assim, são os heróis do descobrimento que nos trouxeram até aqui. Mas eu não quero falar disso. Acabou de passar um bolo de noiva pela minha frente. Sim, uma pessoa vestida de bolo de noiva, correndo a maratona de Chicago. Nesta manhã estão passando milhares de pessoas aqui na frente de casa, na esquina. Enquanto eu estou aqui, na sacada, eles passam. Outra multidão está espalhada pelas calçadas, aplaudindo, gritando, com cartazes. Essa semana eu quase...

Chicago, domingo, 05 de outubro de 2025

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Antes de ler, coloque para tocar "For What It’s Worth", de Buffalo Springfield.  Como prometido, isso não é uma tradição. Não esperem por crônicas dominicais. Depois que a música começar, pode começar a ler. Vamos lá. Acabei de voltar de um café, um daqueles, comuns aqui nos EUA, onde tem café, obviamente, e pastries . Devido à falta de uma tradução direta, se você não sabe o que são pastries , seria algo tipo uma confeitaria, mas onde predominam os folhados, como croissants, folhados doces e salgados, brioches, etc. Enfim, tem um desses lugares aqui a uma quadra da minha casa, um dos que gosto mais, e principalmente aos domingos. Gosto de chegar lá cedo para pegar um pastry fresquinho - espero que não se importem com o inglês. Eu falo assim, genericamente, porque cada domingo escolho um diferente. É um lugar relativamente conhecido no bairro e sempre está cheio. Hoje peguei um Kouign Amann, desculpe o francês. Ao chegar ali, havia umas oito ou nove pessoas na fila. Vo...

Chicago, domingo, 28 de setembro de 2025.

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Semana passada voltei a escrever esse tipo de texto que fazia tempo que eu não escrevia. E gostei, me senti bem escrevendo, me senti bem me lendo. E, assim como na semana passada eu escrevi motivado pela sensação de que pessoas poderiam estar passando pelo mesmo tipo de autoquestionamentos, e parece que alguns estavam, isso também me motiva a seguir falando o que tem passado pela minha cabeça, o que eu tenho sentido. Resistirei à tentação de me criar o compromisso de manter crônicas dominicais, mas com muita vontade de fazê-lo. Então estou aqui: de novo domingo, de novo na sacada do meu apartamento, na região central de Chicago. Diferente da semana passada, hoje está um dia ensolarado. Inclusive o sol está na minha cara agora enquanto eu escrevo, refletindo na tela. Não está tão confortável como estava no último domingo, está mais quente. Quente para Chicago, pois deve estar 20, 21 graus no máximo. Mas o sol batendo na pele dá uma sensação boa, de estar mais calor do que realmente est...

Chicago, domingo, 21 de setembro de 2025.

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Manhã nublada. Chovia até por volta das seis e meia da manhã. Então, olhando aqui da sacada do meu apartamento, vejo o asfalto ainda úmido. Mas a vida está começando. São oito e meia da manhã agora. Como é domingo, tudo está calmo. Mas Chicago nunca para. Vejo os garis aproveitando a calma do trânsito de carros e de pessoas para limpar as calçadas. Estão removendo inclusive alguns objetos da rua, resquício da noite de ontem, provavelmente. Eu moro a uma quadra ou duas de uma estação de corpo de bombeiros. Então, enquanto estou escrevendo, acaba de passar um carro do corpo de bombeiros, seguido por uma ambulância. E essa é a rotina de quem mora aqui onde eu moro, na região central de uma cidade como Chicago. Uma metrópole que não silencia - e não silencia mesmo, em nenhum aspecto. Eu e minhas cidades que não silenciam: minha amada Porto Alegre dos anos 90, minha Minneapolis de 2020 berrando e sagrando para o mundo, e agora Chicago afastando no grito quem finge querer nos proteger. Lembr...

GPTerapia: nem utopia, nem histeria

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Entre o silêncio da análise e a resposta instantânea, há um abismo. Ainda assim, cada vez mais pessoas pulam esse abismo com a leveza de quem clica num botão. “Falei com o ChatGPT e me senti melhor.” “Ele me entende mais do que meu terapeuta.” Parece exagero? Pois saiba que quase 1 em cada 3 adultos nos Estados Unidos já usou algum tipo de Inteligência Artificial para apoio emocional ou psicológico. Entre os usuários frequentes de modelos como o ChatGPT, mais de 60% relatam melhora na saúde mental depois dessas conversas. No Brasil, pesquisas indicam que cerca de 10% dos usuários digitais já recorreram à inteligência artificial para desabafar ou buscar consolo. Isso não é ficção científica. É agora. E merece ser discutido com seriedade, sem a utopia tecnológica nem a histeria do fim do mundo. A proposta é tentadora. A Inteligência Artifical está sempre disponível. Nunca se cansa. Não julga. Fala como você fala; ou melhor, como você gostaria de ser ouvido. E quanto mais você conversa, m...

Parecemos Estar Vivos

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"Eles parecem estar vivos." Logo no início, a peça The Antiquities, As Antiguidades, provoca a audiência c om duas humanoides (não tenho certeza se é assim que se chama, estou por fora do mundo da ficção científica) que visitam um museu de antiguidades para verem como eram os humanos. Brincam com o fato de que tínhamos museus para entendermos os dinossauros. E agora, estão aqui, no museu, para entender como eram esses tais humanos. “Olha só, parecem reais”, elas falam encarando a plateia, como se nós fôssemos as peças do museu. “Como podiam viver sabendo que só viveriam 29.220 noites? Como era possível fazer tudo o que fizeram, sabendo que a cada noite era um dia a menos? Cometer barbaridades, atrocidades, sabendo que eram tão efêmeros?” E, a partir daí, a peça segue. Vindo do século XIX, passando pelo XX, pelo dia de hoje, e indo até o século XXIII.  Passando pela invenção da lâmpada, pelos primeiros computadores, primeiros robôs, internet, inteligência artificial, e indo...