Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Isabella e o Padre Voador

Olha só,

Quem foi que disse que precisamos estar informados de tudo o que acontece?

Por que precisaríamos saber do que está acontecendo em todo mundo, cada vez mais ‘na hora do fato’, cada vez mais ‘on-line’?

Pra que notícias a toda hora?

Na minha opinião, em grande parte, esta febre só serve para alimentar sensacionalismos, especulações e, creio sinceramente, muito pouco contribuem para a nossa vida.

Por exemplo, pasmem, mas fiquei sabendo há poucos dias dos casos da menina Isabella e do tal padre voador. E, ainda assim, meio por cima, sob o olhar zombador de alguns amigos.

E pergunto: que diferença fez para mim ou para quem não está diretamente ligado com a história ficar sabendo disto no dia em que aconteceu ou dias e meses depois? Ou ainda, nem ficar sabendo, e daí?

Disseram que este caso monopolizou e ainda deve estar tomando conta de grande parte da imprensa, do noticiário e das conversas de muitas pessoas. Pra quê?

Não sei maiores detalhes. E que diferença faz?

Estava com a TV ligada, passava um jogo de futebol, quando tudo parou: ao vivo, direto de sei lá aonde, a prisão dos pais de Isabella. Na cena, vários carros de polícia, vários policiais, acho que um quarteirão todo interditado e eu pensei: o que esta tal de Isabella deve ter aprontado, para prenderem até os pais dela? Chegou a me dar pena dos coitados... Fiquei curioso e fui me informar. Em segundos, na Internet, descobri o que tinha acontecido e, sinceramente, pasmei, como a maioria, acredito, das pessoas. Mas daí a ficar semanas só se falando disso... por favor!

Do padre voador tive menos notícias e interesse ainda. Quando contei dessa história da Isabella para alguns amigos, me perguntaram se eu sabia da história do padre com seus mil balões. Confesso que na hora achei que era piada. Ainda acho que é.

O que vejo, o que sei é que não são nos dadas as notícias que realmente podem nos interessar, as ditas importantes, só nos são dadas notícias que dão público, que dão audiência, afinal, o objetivo do jornal, da TV, do rádio, seja lá que mídia for, em resumo, não é o de nos informar coisa nenhuma, mas sim o de ter patrocínio, de se manter, de dar lucro. E o patrocinador procura quem tem audiência e não quem tem a ‘melhor’ notícia, quem é o mais imparcial, isto é só pra vender mais.

Pior é que se criou uma cultura, um conceito de que as pessoas devem estar informadas, devem assistir a um telejornal, devem se manter atualizadas do que acontece com seu país e com o mundo. Precisamos mesmo? Se só nos informam o que querem? Quanta notícia realmente importante não deve ter ficado em segundo plano, enquanto mostravam detalhes e mais detalhes e ângulos diferentes e opiniões até de quem não tem nada que opinar sobre a tal Isabella?

Acho importante sabermos que houve um terremoto na China, mas precisa ser na hora? Com as câmeras ainda tremendo um pouco? Preciso de detalhes sórdidos? Se eu puder ajudar em algo, ótimo, se não, só serve para Sharons Stones da vida falarem besteiras e exporem seus preconceitos.

Que me desculpem: mas, pra mim, isso é só propaganda, para, ao final, ou nos intervalos, na página ao lado, me oferecerem sabão em pó, margarina, cerveja e um novo conceito de viver no bairro nobre da cidade. Transformam noticiário em novela. Conforme a audiência, teremos mais ou menos capítulos.

Quando preciso saber de algo, e assim funciona com todos, eu fico sabendo. Se estou envolvido na história, se posso fazer algo, se me compete, saberei, não há dúvidas. Por exemplo, se vou viajar e preciso de alguma moeda estrangeira, fico sabendo da cotação, posso acompanhar por alguns dias, enquanto organizo minha viagem. E só.

Pra que me serve saber a tendência do mercado exterior em relação ao Real? Só especulação e terrorismo. Se não é meu trabalho, se não sou economista, investidor, pra que acompanhar a cotação da moeda hora a hora. Há sites que acompanham minuto a minuto (!!!)

E assim se aplica a quase todas as áreas.

Como já disse, na grande maioria, as notícias se resumem a sensacionalismos, exploração de fatos que dão audiência (não usarei a palavra ibope), haja ou não novidades relevantes sobre o mesmo e terrorismos de todos os tipos, principalmente sociais, para plantar medo, especulações, pânicos e outras doenças dispensáveis.

Uso TV para ver filmes, algum esporte, algum documentário e jornais para ler o caderno de cultura e saber da programação da cidade.

E recomendo: para os noticiários, façamos como faço com novelas: vejo uma vez por mês, só para confirmar que está tudo igual mesmo.

Foi um privilégio!

1 comentários:

Jersica Paes disse...

Caro amigo... é a concorrência! É a concorrência...