Fronteiras

Olha só,

Ontem assisti uma conferência do escritor manauara Milton Hatoum, aqui em Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento*.

Logo no início de sua apresentação, ele nos contou uma história de uma conversa que teve durante o vôo de São Paulo para Porto Alegre e falou sobre a expressão ‘confins’, pois sendo ele de Manaus, lhe parece que o Rio Grande do Sul fica nos confins do Brasil e é exatamente o contrário, para quem vive aqui.

Depois disse que confins é o limite, a extremidade, é onde tomamos contato com o outro país, ou seja o que for, é onde podemos ser expulsos ou acolhidos. Vou repetir, expulsos ou acolhidos.

Em outra conferência, há quase dois meses, Edgar Morin também falou algo parecido, inclusive tentou nos estimular, ao dizer que quanto mais próximos do fim, mais próximos de um novo começo. Que o fim, que pode parecer algo triste e trágico, traz em si a maravilha de um novo início. Disse algo do tipo: quanto mais evoluímos rumo à catástrofe, mais nos aproximamos da metamorfose. E disse também: meu fim é meu começo, a origem não está atrás, mas à frente.

Provavelmente pelo próprio nome do projeto conter a palavra ‘fronteiras’, os conferencistas já devem se sentir estimulados a pensar e falar sobre o assunto.

O fato é que me sinto assim, na fronteira. Quase lá, quase cá. Nem aqui, nem ali ainda.

No final de uma fase do vídeo game, tudo cumprido, tarefas realizadas, ou não, só mesmo a procurar pela porta que me leva à próxima fase, à próxima etapa.

Sou só eu? Confessem!

Provoco-os porque sinto que muitos estão assim, com aquela sensação de que algo novo está no ar, de que a vida que levam, ou levavam, está no fim, está sem sentido, só falta um passo. E que passo!

Muitos, e me incluo, têm se sentido à margem, e aproveito o termo para seu outro significado, não só a sensação de estar sendo deixado de lado, mas o fato de estar ali, na linha limítrofe. Sugiro que se aproveite o fato de se estar ali e que se dê mais um passo, rumo ao aparente nada, ao desconhecido, ao fim, que poderá ser, e aposto que será, um novo início.

Foi só assim, quando deram um passo rumo ao nada, rumo ao fim do mundo que navegadores, como Cristóvão Colombo e outros, descobriram continentes e redescobriram seu próprio mundo. Eles se jogaram rumo ao que até então era o aparente nada, o fim do mundo, o ‘buraco’.

O convite é este, tenhamos coragem de seguir, de mudar, de iniciar um novo ciclo. O aparente caos, a confusa falta de rumo, de perspectivas, às vezes, pode ser apenas a apresentação do novo, que, por não conhecermos, nos parece tão estranho. Não tenhamos medo de nos desfazermos do casulo e sair do conforto que já conhecemos. E de preferência, façamos isso sozinhos, por nossas próprias forças, com nossa coragem, para que nossas asas tenham forças para voar.

Foi um privilégio!


* – mais informações sobre o Fronteiras do Pensamento, no site: http://www.fronteirasdopensamento.com.br/

Comentários

HELENA MARIA disse…
Privilégio eu tenho em ler textos como esse! Beijos
Cristina disse…
Meu rico,
foi um privilégio!

Já li os dois posts e devo dizer que gosto muito, tanto deste novo blog, quanto do outro, o Pufe!

Obrigada pelo convite..beijos
Anônimo disse…
...tenhamos coragem de seguir, de mudar, de iniciar um novo ciclo. O aparente caos, a confusa falta de rumo, de perspectivas, às vezes, pode ser apenas a apresentação do novo, que, por não conhecermos, nos parece tão estranho. Não tenhamos medo de nos desfazermos do casulo e sair do conforto que já conhecemos. E de preferência, façamos isso sozinhos, por nossas próprias forças, com nossa coragem, para que nossas asas tenham forças para voar.

Eu estava mesmo precisando ler isso.
Obrigado, Paty®♥♥

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