Dirigindo na Neve
Dirigir na neve, acredite, é um desafio. Principalmente se, como eu, você foi criado num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Assim como quase tudo nesta vida, com o tempo você aprende um pouco, se acostuma um pouco e o desafio parece menor, mas ele ainda existe e persiste. Este, creio, seja o maior desafio sobre dirigir na neve: o desafio sempre muda. Depois de algumas frustrações, atrasos, e vontade de fazer como um cidadão de Dakota do Norte fez e usar um lancha-chamas para derreter toda essa neve, me dei conta que dirigir na neve tem muito a ver com nossa vida, com como lidamos com os problemas e desafios que sempre nos aparecem e que, assim como os da neve, são sempre diferentes.
Quando acreditamos que já sabemos tudo, que já passamos por tudo, lá vem um dia sem neve, mas com vento tão forte, que sopra a neve acumulada fora da estrada para dentro da pista e, de surpresa, você tem que dirigir assim, com um vento branco e cheio de neve que lhe atinge de lado, lhe tira a visibilidade e a confiança sobre seu freio - se ele funcionará ou não quando você precisar dele.
Assim como na vida, para dirigir na neve não basta, embora seja importante, apenas experiência. Já encontrei gente que vive aqui desde sempre, enfrenta essas condições todos os anos e que continua atolando e sofrendo acidentes. Então não me venha com o simplista modo de encarar a vida com "fulano é um sábio, pois tem mais de 60 anos de idade". Não, por favor, 60 anos cometendo os mesmos erros significam o mesmo que um ano deslizando na neve e tendo seu carro atolado ou enfiado em alguma montanha branca ao lado da estrada.
No primeiro ano, nas primeiras vezes em que você enfrenta a neve, independentemente do que lhe aconteça, se você deslizar ou não, se atolar ou não, não importa, não acredite que você já aprendeu a lição. Não, você não aprendeu. O pior que pode lhe acontecer, diria, é nada lhe acontecer e você passar a acreditar que já é mestre no assunto. Não, acredite, você não é. Assim como na vida, você deve continuar prestando atenção, tomando cuidando, e respeitando a neve, que parece não lhe respeitar.
Tem dias que a neve está fofa e seca, eu diria, principalmente quando está literalmente nevando. As ruas, eu sei, ficam lindas, tudo branquinho e lisinho, principalmente se você é o primeiro a passar por elas. Porém, não confie nessa beleza, pois buracos podem estar escondidos, placas de gelo que lhe farão deslizar sem patins e algumas outras surpresas podem estar escondidas sob aquela branquidão linda. Mas, você é bom e aprende. No dia seguinte, está nevando de novo, mas a neve não é seca como a do dia anterior, pois esquentou um pouco e a neve, além de molhada é mais escorregadia e pegajosa. Mas você, que é inteligente, aprende a diferenciar ambas e a como dirigir nos dois casos. Mas ai para de nevar, as ruas são limpas (ou quase) e você se sente seguro. Porém a limpeza nunca é completa, sempre fica um restinho em alguma esquina, que acaba congelando em minutos e se transformando numa placa de gelo transparente e escorregadia lhe esperando para um passeio de lado até a outra faixa, caso não haja nenhum carro passando naquele exato momento. Sim, caso haja algum carro passando, seu passeio até a outra faixa será interrompido de forma desagradável.
E assim se vai, dirigindo e aprendendo ao mesmo tempo, como na vida, que só se aprende a viver vivendo, o resto é só teoria. Se você ficar com medo e não sair de casa quando estiver nevando, você ficará seguro, mas nunca aprenderá a dirigir na neve, pois isso não é habilidade que se adquira protegido dentro de casa, debaixo das cobertas. Assim como na vida, se há alguma regra geral, eu diria, é ser flexível, prestar atenção e estar preparado para aprender a qualquer momento. Quando você acreditar que pode controlar tudo e segurar firme o volante de seu carro, não vai demorar muito para você deslizar. Ai você aprende que não adianta ser forte e firme, você tem que saber ser maleável e deixar que o carro e a neve se entendam por alguns milissegundos. Você deve aceitar que o carro mude um pouco de direção, sem pisar no freio, sem acelerar, sem tentar nenhum tipo de controle, até você sentir tração novamente. Porém, não pense que é sempre assim, às vezes você precisa de firmeza para ajeitar seu carro na trilha certa, onde você vê que não há neve, ou que a neve não está lisa. Se você for muito frouxo e deixar o carro ir por si, você acabará atolado em alguma esquina ou em alguma subida ridícula e terá que pedir ajuda, por mais humilhante que você pense que isso seja. Você não sairá daquela situação sozinho. Não adianta acelerar, pois você só afundará mais.
Antes que você pense que algo me aconteceu, saiba que estou bem, que ainda não tive nenhum acidente nestes anos em que vivo aqui, nestes invernos que já enfrentei. Devo muito à sorte, pois já deslizei, já atravessei duas faixas sem controle algum, mas nunca aconteceu de alguém estar passando naquele momento, nunca aconteceu de eu realmente ficar atolado e parado. Porém, sei que isso pode acontecer assim que eu entrar no meu carro e sair do estacionamento, daqui cinco minutos.
Assim como na vida, na neve não há como prever o que lhe acontecerá daqui um minuto e não há como ser mestre no assunto, deve-se aceitar que não há controle para tudo, mas não se deve deixar de dirigir por isso.
Quando acreditamos que já sabemos tudo, que já passamos por tudo, lá vem um dia sem neve, mas com vento tão forte, que sopra a neve acumulada fora da estrada para dentro da pista e, de surpresa, você tem que dirigir assim, com um vento branco e cheio de neve que lhe atinge de lado, lhe tira a visibilidade e a confiança sobre seu freio - se ele funcionará ou não quando você precisar dele.
Assim como na vida, para dirigir na neve não basta, embora seja importante, apenas experiência. Já encontrei gente que vive aqui desde sempre, enfrenta essas condições todos os anos e que continua atolando e sofrendo acidentes. Então não me venha com o simplista modo de encarar a vida com "fulano é um sábio, pois tem mais de 60 anos de idade". Não, por favor, 60 anos cometendo os mesmos erros significam o mesmo que um ano deslizando na neve e tendo seu carro atolado ou enfiado em alguma montanha branca ao lado da estrada.
No primeiro ano, nas primeiras vezes em que você enfrenta a neve, independentemente do que lhe aconteça, se você deslizar ou não, se atolar ou não, não importa, não acredite que você já aprendeu a lição. Não, você não aprendeu. O pior que pode lhe acontecer, diria, é nada lhe acontecer e você passar a acreditar que já é mestre no assunto. Não, acredite, você não é. Assim como na vida, você deve continuar prestando atenção, tomando cuidando, e respeitando a neve, que parece não lhe respeitar.
Tem dias que a neve está fofa e seca, eu diria, principalmente quando está literalmente nevando. As ruas, eu sei, ficam lindas, tudo branquinho e lisinho, principalmente se você é o primeiro a passar por elas. Porém, não confie nessa beleza, pois buracos podem estar escondidos, placas de gelo que lhe farão deslizar sem patins e algumas outras surpresas podem estar escondidas sob aquela branquidão linda. Mas, você é bom e aprende. No dia seguinte, está nevando de novo, mas a neve não é seca como a do dia anterior, pois esquentou um pouco e a neve, além de molhada é mais escorregadia e pegajosa. Mas você, que é inteligente, aprende a diferenciar ambas e a como dirigir nos dois casos. Mas ai para de nevar, as ruas são limpas (ou quase) e você se sente seguro. Porém a limpeza nunca é completa, sempre fica um restinho em alguma esquina, que acaba congelando em minutos e se transformando numa placa de gelo transparente e escorregadia lhe esperando para um passeio de lado até a outra faixa, caso não haja nenhum carro passando naquele exato momento. Sim, caso haja algum carro passando, seu passeio até a outra faixa será interrompido de forma desagradável.
E assim se vai, dirigindo e aprendendo ao mesmo tempo, como na vida, que só se aprende a viver vivendo, o resto é só teoria. Se você ficar com medo e não sair de casa quando estiver nevando, você ficará seguro, mas nunca aprenderá a dirigir na neve, pois isso não é habilidade que se adquira protegido dentro de casa, debaixo das cobertas. Assim como na vida, se há alguma regra geral, eu diria, é ser flexível, prestar atenção e estar preparado para aprender a qualquer momento. Quando você acreditar que pode controlar tudo e segurar firme o volante de seu carro, não vai demorar muito para você deslizar. Ai você aprende que não adianta ser forte e firme, você tem que saber ser maleável e deixar que o carro e a neve se entendam por alguns milissegundos. Você deve aceitar que o carro mude um pouco de direção, sem pisar no freio, sem acelerar, sem tentar nenhum tipo de controle, até você sentir tração novamente. Porém, não pense que é sempre assim, às vezes você precisa de firmeza para ajeitar seu carro na trilha certa, onde você vê que não há neve, ou que a neve não está lisa. Se você for muito frouxo e deixar o carro ir por si, você acabará atolado em alguma esquina ou em alguma subida ridícula e terá que pedir ajuda, por mais humilhante que você pense que isso seja. Você não sairá daquela situação sozinho. Não adianta acelerar, pois você só afundará mais.
Antes que você pense que algo me aconteceu, saiba que estou bem, que ainda não tive nenhum acidente nestes anos em que vivo aqui, nestes invernos que já enfrentei. Devo muito à sorte, pois já deslizei, já atravessei duas faixas sem controle algum, mas nunca aconteceu de alguém estar passando naquele momento, nunca aconteceu de eu realmente ficar atolado e parado. Porém, sei que isso pode acontecer assim que eu entrar no meu carro e sair do estacionamento, daqui cinco minutos.
Assim como na vida, na neve não há como prever o que lhe acontecerá daqui um minuto e não há como ser mestre no assunto, deve-se aceitar que não há controle para tudo, mas não se deve deixar de dirigir por isso.
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