O Amor Merecido
Hoje acordei tão amargo que acho que nem deveria escrever. Se você estiver de bom humor, pare aqui, por favor, pois não quero estragar seu dia. Se estiver de mau humor, nem tente me ler, pois não quero brigas.
Acordei, sai de casa para tomar um café e ouvi na mesa ao lado duas mulheres falando sobre uma amiga em comum que merecia ser amada. Eu sempre acho graça quando ouço sobre esse tal merecimento, que alguém por algum vago motivo merece ser amado. Amor não tem nada a ver com merecimento, isto é um fato. Nem perca tempo se esforçando, fazendo o certo, pois não há nada a fazer. No amor, no amor assim de verdade, as explicações e as palavras se contradizem e os motivos não seguem lógica alguma, não seguem nada, nem o amor próprio. Então faça o que quiser, diga o que quiser, depois, quando quiser, quando estiver desocupado e cansado, quando não conseguir mais nada, ou se cansar de tudo que já conseguiu, chame o amor de volta. Se for pra ser, será, mesmo que neguem. Negam, negam, mas só estão esperando uma chance. É um assobio e correm de volta.
Quando você tiver que escolher, quando for tomar alguma decisão que você acredita pode ter influência no dito ser amado, escolha o errado, faça o que quiser e não se importe, pois nada disso tem importância mesmo. Nada de romantismo é necessário, nenhum trabalho, nada de auto-conhecimento, sabedoria, busca do eu interior, meditação, dieta, malhação, inteligência ou sutileza sequer. Nada de respeito, de cavalheirismo, de ser bom de cama, nada, nadinha de nadica. Não se preocupe com seu corpo, nem com sua mente, nem com a alma, muito menos com a integridade entre eles. O amor não sabe nada disso. Não tente entender o sentido oculto da vida, nem nada que dê mais trabalho do que abrir uma lata de cerveja, beber e deixá-la jogada onde quer que seja. O amor é um perfeito idiota e se orgulha de ser assim. Ele tem a petulância de lhe chamar de louco, se você fizer tudo certo, ele não gosta disso. O imbecil do amor gosta de imperfeições, para se mostrar magnânimo, o perdoador, pois sempre terá muito a perdoar e acha que isso é bonito. Ou melhor, ele não acha nada. A única coisa que ele tenta achar são explicações, mas é só tolice e tempo jogado fora.
Eu disse para você não me ler e agora insisto: pare. Pare aqui, pois só vai piorar.
Quer mais conselhos? Exija e cobre. Se não queres nada, se tudo está bom como está, então invente algo para exigir, algo para cobrar. Não seja nem pareça ser bonzinho. Seja estupido, que é bem melhor. Delicadezas? Nem pensar. Respeito? Não, de forma alguma, não precisa respeitar a ninguém, nem à família, nem mesmo ao tal ser amado. O amor não tem memória e, quando tem, arruma uma desculpa para você, antes mesmo que você pense em se desculpar.
Minta, omita, fuja, cuide de sua vida e o amor que se dane. Ele vai correr atrás. Tenha medo e suma, não assuma. Nada de ser homem de verdade, nada de enfrentar o mundo com coragem e sorriso no rosto. Seja humano no pior sentido da palavra. Seja simples, ou melhor, seja simplista, seja óbvio, fraco e covarde. Seja egoísta, mesmo que você não queira, e nem pense em ser fiel, amor não tem nada a ver com isso. O amor te entenderá e sempre te dará uma segunda chance, pela segunda vez, de novo, e de novo, e perderá a conta de tantas vezes que será e depois te dará outra chance outra vez, pois o amor sempre merece uma chance.
Se for preciso, ele encontrará na Bíblia, no Alcorão, nos búzios, no I-Ching, nas estrelas ou na sua terapeuta incompetente uma explicação convincente de que ele está agindo corretamente e que é legítimo, que é um amor além das forças, maior do que ele mesmo, e achará que isso tudo é lindo.
Mas eu disse que estava amargo e você insistiu em me ler. Então lhe darei um presente, um pouco de doçura, meio hipócrita como o amor gosta, pois você merece, mesmo que você, como eu, também não acredite em merecimentos. Entre uma mentira e outra, entre uma fuga e uma omissão, entre uma noite sozinha e uma bebedeira tentando esquecer seu amor, há os encontros, os vinhos, as mãos e as bocas, as fotos para guardar, as palavras meio decoradas ditas sem pensar, que você guardará como se fossem jóias, há as juras que outras não acreditaram, que agora são só suas, e você será feliz, sim, você será, e achará que sou louco, até a próxima vez.
Acordei, sai de casa para tomar um café e ouvi na mesa ao lado duas mulheres falando sobre uma amiga em comum que merecia ser amada. Eu sempre acho graça quando ouço sobre esse tal merecimento, que alguém por algum vago motivo merece ser amado. Amor não tem nada a ver com merecimento, isto é um fato. Nem perca tempo se esforçando, fazendo o certo, pois não há nada a fazer. No amor, no amor assim de verdade, as explicações e as palavras se contradizem e os motivos não seguem lógica alguma, não seguem nada, nem o amor próprio. Então faça o que quiser, diga o que quiser, depois, quando quiser, quando estiver desocupado e cansado, quando não conseguir mais nada, ou se cansar de tudo que já conseguiu, chame o amor de volta. Se for pra ser, será, mesmo que neguem. Negam, negam, mas só estão esperando uma chance. É um assobio e correm de volta.
Quando você tiver que escolher, quando for tomar alguma decisão que você acredita pode ter influência no dito ser amado, escolha o errado, faça o que quiser e não se importe, pois nada disso tem importância mesmo. Nada de romantismo é necessário, nenhum trabalho, nada de auto-conhecimento, sabedoria, busca do eu interior, meditação, dieta, malhação, inteligência ou sutileza sequer. Nada de respeito, de cavalheirismo, de ser bom de cama, nada, nadinha de nadica. Não se preocupe com seu corpo, nem com sua mente, nem com a alma, muito menos com a integridade entre eles. O amor não sabe nada disso. Não tente entender o sentido oculto da vida, nem nada que dê mais trabalho do que abrir uma lata de cerveja, beber e deixá-la jogada onde quer que seja. O amor é um perfeito idiota e se orgulha de ser assim. Ele tem a petulância de lhe chamar de louco, se você fizer tudo certo, ele não gosta disso. O imbecil do amor gosta de imperfeições, para se mostrar magnânimo, o perdoador, pois sempre terá muito a perdoar e acha que isso é bonito. Ou melhor, ele não acha nada. A única coisa que ele tenta achar são explicações, mas é só tolice e tempo jogado fora.
Eu disse para você não me ler e agora insisto: pare. Pare aqui, pois só vai piorar.
Quer mais conselhos? Exija e cobre. Se não queres nada, se tudo está bom como está, então invente algo para exigir, algo para cobrar. Não seja nem pareça ser bonzinho. Seja estupido, que é bem melhor. Delicadezas? Nem pensar. Respeito? Não, de forma alguma, não precisa respeitar a ninguém, nem à família, nem mesmo ao tal ser amado. O amor não tem memória e, quando tem, arruma uma desculpa para você, antes mesmo que você pense em se desculpar.
Minta, omita, fuja, cuide de sua vida e o amor que se dane. Ele vai correr atrás. Tenha medo e suma, não assuma. Nada de ser homem de verdade, nada de enfrentar o mundo com coragem e sorriso no rosto. Seja humano no pior sentido da palavra. Seja simples, ou melhor, seja simplista, seja óbvio, fraco e covarde. Seja egoísta, mesmo que você não queira, e nem pense em ser fiel, amor não tem nada a ver com isso. O amor te entenderá e sempre te dará uma segunda chance, pela segunda vez, de novo, e de novo, e perderá a conta de tantas vezes que será e depois te dará outra chance outra vez, pois o amor sempre merece uma chance.
Se for preciso, ele encontrará na Bíblia, no Alcorão, nos búzios, no I-Ching, nas estrelas ou na sua terapeuta incompetente uma explicação convincente de que ele está agindo corretamente e que é legítimo, que é um amor além das forças, maior do que ele mesmo, e achará que isso tudo é lindo.
Mas eu disse que estava amargo e você insistiu em me ler. Então lhe darei um presente, um pouco de doçura, meio hipócrita como o amor gosta, pois você merece, mesmo que você, como eu, também não acredite em merecimentos. Entre uma mentira e outra, entre uma fuga e uma omissão, entre uma noite sozinha e uma bebedeira tentando esquecer seu amor, há os encontros, os vinhos, as mãos e as bocas, as fotos para guardar, as palavras meio decoradas ditas sem pensar, que você guardará como se fossem jóias, há as juras que outras não acreditaram, que agora são só suas, e você será feliz, sim, você será, e achará que sou louco, até a próxima vez.
Comentários
Que saudade de ler algo realmente verdadeiro, sem hipocrisias, ou fantasias, ou saramaleques, algo que traduza a total falta de lógica que existe nos jogos amorosos, sejam eles de que natureza fôr. Amor é um negocinho insano,ingrato, ilógico, indecente, irônico, e altamente sabotador. Nada do que aprendemos faz sentido. Queria dizer que o início do teu texto já atrai. Acordo assim muitas vezes. Hoje mesmo, acordei chorando. Não entendo mais o sentido do amor, e pra falar a verdade, nem mesmo da vida. Ou de qualquer coisa que exista.
Exceto, as palavras.
As tuas me deram conforto. Causaram admiração e trouxeram-me colo. Queria que você soubesse que estive aqui, estive em cada linha, e que nestes segundo quânticos, estive do teu lado te lembrando que não estás só. Por mais ilógico que pareça, estive aí, contigo. E me senti melhor.
Alexandre, desejo que 2013 te inspire. E te contrarie nestas tuas palavras.
Beijo,
Be