Alguém que Vale a Pena
Você sabe o que é sobrevoar uma cidade, olhar pela janela do avião e saber que seu amor está ficando para trás, enquanto você está partindo? Você olha para aquela quantidade imensa de prédios e tenta localizar aquele que é naquele momento o prédio mais lindo do mundo, só porque ela está ali, sentada, quem sabe, despretensiosa e ousada, como sempre, quem sabe pensando em você, quem sabe não.
E o avião não pára, não se importa.
Aquela sensação de que está devagar, você sabe, é só sensação; mais alguns segundos e já não se pode ver nada daquela região, onde está ela e seu coração, onde você gostaria de estar, mas não. Não se vê mais os prédios, nem as ruas por onde vocês caminharam, o morro que subiram, a ponte que não atravessaram, tudo ficando para trás. E você espera que os sonhos não fiquem, que o futuro não fique, que o tempo voe, mais rápido que o avião, e que um novo futuro chegue.
E o avião não pára, o tempo não volta.
A cidade já ficou para trás. O céu azul de brigadeiro não consola. A esperança de um novo futuro parece distante. A única expectativa que se tem não traz consolo, é apenas o pesado cotidiano com que você se acostumou, apenas a ausência e o silêncio, sufocantes. E a certeza de que dias melhores virão, de que tudo ficará bem, parece apenas uma ladainha de procissão, na qual não se presta atenção, pois nem muita fé naquele momento se tem.
E o avião não pára, você se sente arrastado, com vontade de fazer manha, de chorar até sua mãe vir lhe acarinhar e lhe fazer dormir, lhe dar garantia de que está tudo bem, que ela está ali e ali ficará enquanto você dorme. O avião não pára, não pára a cabeça, não pára o coração, não pára a angústia no peito, o choro preso na garganta, difícil de engolir; não pára este desejo de estar com ela, de sentir seu corpo, mais lindo a cada dia, a cada ano; de sentir sua mão fria, cheia de energia, de olhar nos olhos cheios de carinho, mesmo quando a boca é dura, de abraçar e se sentir abraçado por aqueles braços que lhe dão tanta segurança, mesmo depois de lhe fazer inseguro.
O avião não pára e nada mais se vê, só serras, lagos, rios, verdes não identificáveis. Não se vê mais poesia; só prosa, só escritos perdidos sem leitor, discursos sem nuvens para apoiar, em direção ao frio, ao sozinho; em direção à espera sem previsão de fim, à espera por quem vale a pena esperar, por quem seu coração reconhece e se acalma, por quem lhe faz pequeno para lhe mostrar o quanto você é grande, por quem é grande, por ser só uma pequena.
O avião não pára, o barulho é constante, tão constante que você se acostuma e é quase silêncio, como o silêncio com o qual você se acostuma e quase acredita que é paz. E ela ainda deve estar ali, naquele mesmo prédio, com sua beleza doce, seu olhar lindo de mulher de verdade, seu olhar que se torna mais lindo com as rugas que a vida criou ao redor de seus olhos, seu olhar que olha direto no seu coração e lhe toca, lhe emociona, faz você chorar como criança; seu olhar que deixa forte o que era frágil, e que deixa escapar a fragilidade escondida na força.
O avião não pára e você só pensa em agradecer pelo vivido e pela alegria de poder ter encontrado alguém como ela, alguém por quem lutar, alguém por quem esperar o tempo que for: quantos meses, quantos anos se passarem, pois não há tempo que seja maior do que seu amor. O avião não pára e você sabe que esperará e lutará mesmo em silêncio por alguém que vale a pena esperar e lutar, por alguém que vale a pena acordar diariamente, vê-la, e sorrir antes mesmo antes de dizer bom dia, antes mesmo de beijá-la, sorrir de agradecimento por ter o privilégio de estar ao seu lado.
Feliz de você que tem alguém assim, alguém por quem vale a pena viver, por quem vale a pena sonhar, por quem vale a pena mudar e voltar a amar, alguém que vale a pena de verdade.
E o avião não pára, não se importa.
Aquela sensação de que está devagar, você sabe, é só sensação; mais alguns segundos e já não se pode ver nada daquela região, onde está ela e seu coração, onde você gostaria de estar, mas não. Não se vê mais os prédios, nem as ruas por onde vocês caminharam, o morro que subiram, a ponte que não atravessaram, tudo ficando para trás. E você espera que os sonhos não fiquem, que o futuro não fique, que o tempo voe, mais rápido que o avião, e que um novo futuro chegue.
E o avião não pára, o tempo não volta.
A cidade já ficou para trás. O céu azul de brigadeiro não consola. A esperança de um novo futuro parece distante. A única expectativa que se tem não traz consolo, é apenas o pesado cotidiano com que você se acostumou, apenas a ausência e o silêncio, sufocantes. E a certeza de que dias melhores virão, de que tudo ficará bem, parece apenas uma ladainha de procissão, na qual não se presta atenção, pois nem muita fé naquele momento se tem.
E o avião não pára, você se sente arrastado, com vontade de fazer manha, de chorar até sua mãe vir lhe acarinhar e lhe fazer dormir, lhe dar garantia de que está tudo bem, que ela está ali e ali ficará enquanto você dorme. O avião não pára, não pára a cabeça, não pára o coração, não pára a angústia no peito, o choro preso na garganta, difícil de engolir; não pára este desejo de estar com ela, de sentir seu corpo, mais lindo a cada dia, a cada ano; de sentir sua mão fria, cheia de energia, de olhar nos olhos cheios de carinho, mesmo quando a boca é dura, de abraçar e se sentir abraçado por aqueles braços que lhe dão tanta segurança, mesmo depois de lhe fazer inseguro.
O avião não pára e nada mais se vê, só serras, lagos, rios, verdes não identificáveis. Não se vê mais poesia; só prosa, só escritos perdidos sem leitor, discursos sem nuvens para apoiar, em direção ao frio, ao sozinho; em direção à espera sem previsão de fim, à espera por quem vale a pena esperar, por quem seu coração reconhece e se acalma, por quem lhe faz pequeno para lhe mostrar o quanto você é grande, por quem é grande, por ser só uma pequena.
O avião não pára, o barulho é constante, tão constante que você se acostuma e é quase silêncio, como o silêncio com o qual você se acostuma e quase acredita que é paz. E ela ainda deve estar ali, naquele mesmo prédio, com sua beleza doce, seu olhar lindo de mulher de verdade, seu olhar que se torna mais lindo com as rugas que a vida criou ao redor de seus olhos, seu olhar que olha direto no seu coração e lhe toca, lhe emociona, faz você chorar como criança; seu olhar que deixa forte o que era frágil, e que deixa escapar a fragilidade escondida na força.
O avião não pára e você só pensa em agradecer pelo vivido e pela alegria de poder ter encontrado alguém como ela, alguém por quem lutar, alguém por quem esperar o tempo que for: quantos meses, quantos anos se passarem, pois não há tempo que seja maior do que seu amor. O avião não pára e você sabe que esperará e lutará mesmo em silêncio por alguém que vale a pena esperar e lutar, por alguém que vale a pena acordar diariamente, vê-la, e sorrir antes mesmo antes de dizer bom dia, antes mesmo de beijá-la, sorrir de agradecimento por ter o privilégio de estar ao seu lado.
Feliz de você que tem alguém assim, alguém por quem vale a pena viver, por quem vale a pena sonhar, por quem vale a pena mudar e voltar a amar, alguém que vale a pena de verdade.

Comentários
Difícil o primeiro engolir. Não desce. A saliva mistura com o grito que quer sair e dá uma dor tão grande no peito...
Um abraço mas essa foi fogo
Cris Bat.