sexta-feira, 29 de maio de 2009

Dia cinza em Minneapolis.

Olha só,

Apesar de estarmos quase no verão, hoje a temperatura não passou dos 15ºC. Às vezes garoava.

Em Uptown, um senhor me pediu dinheiro. Foi o primeiro, hoje.

Já me pediram dinheiro em vários lugares, de várias formas. Diferente do Brasil, só na aparência. Aqui se vestem melhor, mas pedem dinheiro.

Dois estudantes, pelo menos pareciam ser, em pleno campus da Universidade de Minnesota me pediram dinheiro na semana passada. Achei que fosse brincadeira, mas não era.

Pouco muda no mundo daqui em relação ao que já conhecia. Negros e imigrantes de países pobres, latinos e asiáticos, fazem o serviço pesado. Isto pode explicar a simpatia.

Dentro da dor e da delícia de se ser o que é, de se estar onde se está, passei o dia lembrando de uma amiga que faz aniversário hoje.

A estas horas devem estar tomando uma cerveja. Devem estar no Mercatto. Nem o cheiro de cigarro me incomodaria. Sim, já devem ter fumado muito. Devem estar bêbadas e falando alto. E mais um cigarro. E mais uma cerveja.

Aqui a cerveja é boa, acho que melhor que a do Brasil, mas tenho preferido tomar vinho branco. Sozinho, com o frio, só me apetece chá, por enquanto.

Prometem que o calor chegará, mas ainda tenho dúvidas.

No bar, devem estar criando problema para colocar uma cadeira a mais na mesa, que já deve estar lotada, mas as meninas do Mercatto dão um jeito.

Brindo com meu chá, querendo, por alguns momentos, trocar a primavera de Minneapolis pelo outono de Porto Alegre. Aqui as ruas estão lindas, coloridas pelas inúmeras árvores e plantas. Várias cores que se alteram diariamente. Difícil de imaginar, só mesmo vendo.

Mas tenho saudades da rua da República, com seu verde único. Algo me diz que o verde da Redenção não é mais belo, mas é mais profundo que o verde daqui.

Dentro da dor e da delícia de se ser o que é, de se estar onde se está, comecei um novo módulo hoje. Novos professores, novos colegas, antigos professores e colegas também. Como a vida, sempre com novidade, sempre com um pouco do mesmo, para nos acostumarmos, para o aconchego da alma.

Ontem joguei futebol, depois de anos. Muito bom. Definitivamente, tenho me sentido mais livre, mais solto e mais novo, como há tempos. Muita energia, muita vida, muita alegria, mais do que imaginava, mais do que queria, mais do que sonhava.

Mais alguém deve ter chegado, mais uma cerveja. O tom de voz deve estar muito alto. Só para me maltratar, sei que já devem ter recitado Vinícius. Aqui não tem Vinicius, nem Drummond, nem Quintana, mas ainda encontrarei outros.

Faz frio, daqueles que só amigos esquentam.

Não entendo muita gente, não entendo muitas ações e reações de muitas pessoas. Não sei se devo entender, não sei se preciso entender. Sei de mim, do que eu gosto, do que me faz bem.

Prometo pra mim mesmo não pensar nas reações que meus carinhos e amores podem gerar. Isto não cabe a mim. Se não me entendem, ou se me recebem diferente do que esperava, não tenho nada a fazer. Só me preocupo em não me endurecer.

Provavelmente com a próxima cerveja virá mais um maço, ou dois. Sei que o que falam não vem da bebedeira, vem de dentro, a cerveja só ajudar a pintar o quadro, a mostrar a beleza.

Nosso parabéns é diferente, não é repetitivo. Outro dia falo disso, não nesta data querida.

Foi um privilégio!

(English version: http://wordsbytheworld.blogspot.com/2009/05/grey-day-in-minneapolis.html)

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