Olha só,
Há algumas semanas, escrevi um texto chamado “É favorável atravessar a Grande Água”, expressão muito utilizado no I Ching e o texto nasceu a partir desta frase e sugeria ação, sair do lugar, ir adiante e não olhar para trás.
Outro conselho que às vezes encontramos no I Ching é: “Não é favorável ir a parte alguma”. Quase que oposto ao anterior, este é mais intimista, mais quieto, mas não sem ação.
Não é um simples não fazer nada e esperar para ver no que vai dar, sem ação alguma. É uma ação, sim, não ir a parte alguma, ficar em si, se concentrar e esperar o tempo correto. É o que se fala à semente, antes dela brotar. A ordem, o conselho é manter-se quieto e respeitar as leis da natureza, mas em vigilância, pois a qualquer momento poderás brotar.
O homem do campo que é conhecedor da sua lida e sabe controlar o tempo e sua plantação é aquele que planta na época certa, para colher na época certa. É o que sabe esperar o tempo de plantar, o de cuidar e o de colher, sem apressá-los e, principalmente, sem desperdiçá-los. Não há homem sábio que queira modificar esta lei.
Mas, e agora, atravessar a grande água, ou não ir à parte alguma?
A sabedoria esta nisso, saber a hora de um e de outro. Saber a hora de atravessar e ter coragem e força para isso e saber a hora de ficar parado e ter coragem e força para isso também. Sim, é preciso ter coragem para não ir a parte alguma consciente disto e não por preguiça, por comodismo.
E é necessária força para se encarar, ficar a só consigo e se ouvir. Não é preciso sair pelo mundo, o mundo está dentro de si. Não há nada lá fora que já não exista dentro de si. O mundo que vemos é apenas um espelho. Agora, vamos olhar direto.
Se no outro texto, estimulei a ir adiante, se desprender de tudo e seguir, neste o convite é diferente: é se desprender também, mas do exterior e ficar em si, não ir a parte alguma.
Foi um privilégio!
Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Hoje eu Sinto Alegria
Muita alegria, às vezes, dá uma tristeza...
Olha só,
Agora estou sentindo muita alegria, mas é estranho. Acredito que não devia estar assim. É uma alegria tamanha e sem motivo, que me deixa nervoso.
Ainda há pouco, sentia melancolia, tristeza profunda e agora, de repente, esta alegria! Alegria por saber que posso ser triste também, será? Alegria por me sentir vulnerável, inconstante e levemente destemperado... pode ser...
E esta alegria me aperta e altera minha respiração. Deve ser por ser alegria de estar sozinho e de não querer ser alegre. Talvez alegria do fim alcançado, sem querer chegar ao fim.
Como me sentir feliz com esta alegria que me invade, se ela está aqui sem eu querer, sem me preparar para isto, sem saber o motivo e não ter nem como brindá-la? Alegria assim não me serve, não me deixa feliz, só me deixa ansioso ao tentar descobrir o que ela faz por aqui.
Será que ela não tinha outra pessoa para incomodar? Se ela me deixasse em paz, na minha monotonia, seria mais feliz, acredito.
Muita alegria, às vezes, dá uma tristeza, até atrapalha, você me entende? Se alguém me perguntar porque estou alegre, o que vou dizer? Não pode ser assim.
Poderia dizer, automaticamente, que estou feliz com o milagre da vida, mas, por favor, poupe-me. Por ter acordado mais um dia e visto o sol, por saber que o amor existe, e que alguém, em algum lugar, está pensando em mim, neste momento. Mas não, nada disso me convence. Desculpem, mas agora chego a achar tudo isso ridículo.
Já aprendi a sentir vários sentimentos sem explicação e até aceitá-los. Já passei por ciúme, por raiva, inveja, tristeza... Mas alegria assim é a primeira vez. E, olha, não recomendo, não vale a pena.
Sinceramente, não sei se me entendem, não sei se estão se dando conta do que estou falando, mas também nem sei se é para entender.
Acho que vou fazer um mate, sentar num lugar calmo, quem sabe à beira do Guaíba, com o pôr-do-sol à minha frente e ficar quieto, assim, bem quieto, quase meditando, e esperar esta alegria passar.
Foi um privilégio!
Agora estou sentindo muita alegria, mas é estranho. Acredito que não devia estar assim. É uma alegria tamanha e sem motivo, que me deixa nervoso.
Ainda há pouco, sentia melancolia, tristeza profunda e agora, de repente, esta alegria! Alegria por saber que posso ser triste também, será? Alegria por me sentir vulnerável, inconstante e levemente destemperado... pode ser...
E esta alegria me aperta e altera minha respiração. Deve ser por ser alegria de estar sozinho e de não querer ser alegre. Talvez alegria do fim alcançado, sem querer chegar ao fim.
Como me sentir feliz com esta alegria que me invade, se ela está aqui sem eu querer, sem me preparar para isto, sem saber o motivo e não ter nem como brindá-la? Alegria assim não me serve, não me deixa feliz, só me deixa ansioso ao tentar descobrir o que ela faz por aqui.
Será que ela não tinha outra pessoa para incomodar? Se ela me deixasse em paz, na minha monotonia, seria mais feliz, acredito.
Muita alegria, às vezes, dá uma tristeza, até atrapalha, você me entende? Se alguém me perguntar porque estou alegre, o que vou dizer? Não pode ser assim.
Poderia dizer, automaticamente, que estou feliz com o milagre da vida, mas, por favor, poupe-me. Por ter acordado mais um dia e visto o sol, por saber que o amor existe, e que alguém, em algum lugar, está pensando em mim, neste momento. Mas não, nada disso me convence. Desculpem, mas agora chego a achar tudo isso ridículo.
Já aprendi a sentir vários sentimentos sem explicação e até aceitá-los. Já passei por ciúme, por raiva, inveja, tristeza... Mas alegria assim é a primeira vez. E, olha, não recomendo, não vale a pena.
Sinceramente, não sei se me entendem, não sei se estão se dando conta do que estou falando, mas também nem sei se é para entender.
Acho que vou fazer um mate, sentar num lugar calmo, quem sabe à beira do Guaíba, com o pôr-do-sol à minha frente e ficar quieto, assim, bem quieto, quase meditando, e esperar esta alegria passar.
Foi um privilégio!
Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
É Proibido Pisar na Grama
Olha só,
Tenho me perguntado por que é proibido pisar na grama.
Nunca vi um cachorro, nem mesmo um cavalo, ou qualquer outro animal se preocupar em não pisar na grama. Será que eles não a machucam também? Se é que é este o problema.
Será que em sua sintonia, em sua harmonia natural, cometeriam um erro gritante assim? E mais, será que a grama se ofende? Será que assim se dará a extinção da grama?
E nós, seres humanos civilizados? Por que o pudor? Por que esta estranha educação?
Tudo bem, concordo com o cuidado, o mesmo que devíamos ter com tudo e que nem sempre temos. Mas, neste caso específico, algo me incomoda e questiono: não podemos pisar na grama ou no jardim?
Qual o real problema: a vida da pobre grama indefesa ou a estética oficial de um jardim bem cuidado, melhor dizendo, de um jardim com boa aparência, que não necessariamente é aquele onde as plantas, as vidas, estão em maior e/ou melhor harmonia?
O que vejo por trás desta proibição é a real preocupação escondida. E pior do que isto, é a preocupação fútil travestida de preocupação nobre. Hipocrisia e vaidade disfarçada de cuidado com a natureza.
Sim, eu piso na grama, piso na terra, na areia, nas pedras e tenho convicção de que ninguém se ofende, a não ser o dono do jardim.
Foi um privilégio!
Tenho me perguntado por que é proibido pisar na grama.
Nunca vi um cachorro, nem mesmo um cavalo, ou qualquer outro animal se preocupar em não pisar na grama. Será que eles não a machucam também? Se é que é este o problema.
Será que em sua sintonia, em sua harmonia natural, cometeriam um erro gritante assim? E mais, será que a grama se ofende? Será que assim se dará a extinção da grama?
E nós, seres humanos civilizados? Por que o pudor? Por que esta estranha educação?
Tudo bem, concordo com o cuidado, o mesmo que devíamos ter com tudo e que nem sempre temos. Mas, neste caso específico, algo me incomoda e questiono: não podemos pisar na grama ou no jardim?
Qual o real problema: a vida da pobre grama indefesa ou a estética oficial de um jardim bem cuidado, melhor dizendo, de um jardim com boa aparência, que não necessariamente é aquele onde as plantas, as vidas, estão em maior e/ou melhor harmonia?
O que vejo por trás desta proibição é a real preocupação escondida. E pior do que isto, é a preocupação fútil travestida de preocupação nobre. Hipocrisia e vaidade disfarçada de cuidado com a natureza.
Sim, eu piso na grama, piso na terra, na areia, nas pedras e tenho convicção de que ninguém se ofende, a não ser o dono do jardim.
Foi um privilégio!
Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Sambando na Lama
“Sambando na lama de sapato branco, glorioso” (Chico Buarque)
Olha só,
Há 20 anos ouço esta música e ela, de certa forma, me incomoda. Sempre me pergunto o significado disto, que me parece ser algo além do óbvio.
Por que na lama? Por que sapato branco?
Pensei em algumas explicações, sem saber qual é a correta, sem nem mesmo saber se existe uma correta. Acredito que não.
Umas das explicações que achei foi a de mostrar o desprendimento do artista, que não se preocupa com o sapato branco e samba mesmo na lama. O sapato eu limpo depois, agora vamos sambar.
Outra seria da paixão pela arte. Quem sabe a leveza do artista que samba sem sujar os sapatos. Ou que não se importa com a roupa, com o lugar, sapato branco na lama, tanto faz, quero fazer minha arte. Se o que a vida me oferece é um sapato branco na lama, vamos lá.
E uma última explicação que me ocorre agora vem do comprometimento. Ele está lá para sambar. Colocou seu melhor sapato, de salão, sapato branco. Ao invés de um palco digno, lhe oferecem um chão de lama. Ele é artista, ele samba.
Não importa qual seja a explicação certa, como já disse, mesmo porque elas se confundem e se completam.
Às vezes, estamos assim. Hoje eu estou. De sapato branco, cantando e sambando na lama. Seja a lama que for.
Naquele momento em que pensamos que esta lama que nos oferecem para sambar não é digna de nossos sapatos brancos, mas mesmo assim sambamos, gloriosos. E ai é uma mistura de desprendimento, amor pela arte, pela vida e comprometimento, afinal “um grande artista tem que dar o que tem e o que não tem”.
Não importa se estamos em terra de sapo, se, por dentro, molambo, filó por fora. O show não pode parar, não importa o palco, não importa a platéia.
E assim, com ou sem esta consciência, debaixo de chuva, com lama sob os pés, respiro fundo e, com um pouco de imaginação, sambo na lama sem tocar o chão.
“E o tal ditado, como é? Festa acabada, músicos a pé.”
Foi um privilégio!
Olha só,
Há 20 anos ouço esta música e ela, de certa forma, me incomoda. Sempre me pergunto o significado disto, que me parece ser algo além do óbvio.
Por que na lama? Por que sapato branco?
Pensei em algumas explicações, sem saber qual é a correta, sem nem mesmo saber se existe uma correta. Acredito que não.
Umas das explicações que achei foi a de mostrar o desprendimento do artista, que não se preocupa com o sapato branco e samba mesmo na lama. O sapato eu limpo depois, agora vamos sambar.
Outra seria da paixão pela arte. Quem sabe a leveza do artista que samba sem sujar os sapatos. Ou que não se importa com a roupa, com o lugar, sapato branco na lama, tanto faz, quero fazer minha arte. Se o que a vida me oferece é um sapato branco na lama, vamos lá.
E uma última explicação que me ocorre agora vem do comprometimento. Ele está lá para sambar. Colocou seu melhor sapato, de salão, sapato branco. Ao invés de um palco digno, lhe oferecem um chão de lama. Ele é artista, ele samba.
Não importa qual seja a explicação certa, como já disse, mesmo porque elas se confundem e se completam.
Às vezes, estamos assim. Hoje eu estou. De sapato branco, cantando e sambando na lama. Seja a lama que for.
Naquele momento em que pensamos que esta lama que nos oferecem para sambar não é digna de nossos sapatos brancos, mas mesmo assim sambamos, gloriosos. E ai é uma mistura de desprendimento, amor pela arte, pela vida e comprometimento, afinal “um grande artista tem que dar o que tem e o que não tem”.
Não importa se estamos em terra de sapo, se, por dentro, molambo, filó por fora. O show não pode parar, não importa o palco, não importa a platéia.
E assim, com ou sem esta consciência, debaixo de chuva, com lama sob os pés, respiro fundo e, com um pouco de imaginação, sambo na lama sem tocar o chão.
“E o tal ditado, como é? Festa acabada, músicos a pé.”
Foi um privilégio!
Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Modéstia
Olha só,
Lá fora a lua está crescente. Até o final da semana estará cheia, mas não por muito tempo. Não há novidade alguma nisto.
O próprio sol, que há poucas horas estava lá em cima, no seu auge, já está baixando, quase sumindo no horizonte e ainda vai baixar mais, mas não por muito tempo.
Assim também as águas correm do topo das montanhas até o mais baixo dos rios, mas não por muito tempo. Logo evaporam e voltam ao topo, às nuvens. Ou fluem em fontes nos mais altos picos.
E o movimento é este, em tudo. Montanhas sofrem erosão e vão preenchendo os vales. E assim, ao invés de se sentirem superiores, dividem. E depois brotam do fundo da terra novamente.
Este é o ciclo natural da vida, da lua, do sol, das águas, da terra. Melhor entendido e aceito por eles do que por nós, racionais. A natureza ali, cheia de exemplos a nos ensinar, mas não prestamos atenção.
Há muita lição nesta obviedade. Mas penso agora na modéstia.
Modéstia de todos, principalmente ao chegaram ao apogeu, ao serem a montanha mais alta, ao chegar ao meio-dia, à lua cheia. E modéstia do que está momentaneamente inferior, o vale, que aceita sua situação, aceita ajuda, aceita o tempo e ascende.
Também a modéstia dos intermediários, subindo ou descendo, que permitem que a água passe, que a terra corra, que o sol continue seu movimento, crescente ou minguante, sem querer segurar pra si, para se garantir. Não, deixam fluir, aceitam e, assim, colaboram e se nutrem mutuamente.
E em tudo há beleza. Não ouso dizer qual fase da lua é a mais bela, afinal, na lua nova, o céu fica tão lindo, não é mesmo? E qual seria o melhor horário do dia, a melhor posição do sol, a melhor estação do ano, qual?
Quem ousaria definir o melhor e sustentar sua resposta contra os prováveis argumentos contrários? Aposto que ninguém, pois não acredito que haja melhor.
Nenhuma fase é melhor que a outra, nenhuma etapa, todas fazem parte do ciclo, se dependem e se completam. A beleza de uma, ouso dizer, depende da modéstia da anterior, que sai de cena, e da próxima, que não alardeia sua futura chegada. Não há ansiedade, nem para chegar, nem para sair.
O belo de cada momento é o momento, a beleza da primavera é a primavera, não a perspectiva do verão, ou a lembrança do inverno. E há muita modéstia nisto.
Foi um privilégio!
Lá fora a lua está crescente. Até o final da semana estará cheia, mas não por muito tempo. Não há novidade alguma nisto.
O próprio sol, que há poucas horas estava lá em cima, no seu auge, já está baixando, quase sumindo no horizonte e ainda vai baixar mais, mas não por muito tempo.
Assim também as águas correm do topo das montanhas até o mais baixo dos rios, mas não por muito tempo. Logo evaporam e voltam ao topo, às nuvens. Ou fluem em fontes nos mais altos picos.
E o movimento é este, em tudo. Montanhas sofrem erosão e vão preenchendo os vales. E assim, ao invés de se sentirem superiores, dividem. E depois brotam do fundo da terra novamente.
Este é o ciclo natural da vida, da lua, do sol, das águas, da terra. Melhor entendido e aceito por eles do que por nós, racionais. A natureza ali, cheia de exemplos a nos ensinar, mas não prestamos atenção.
Há muita lição nesta obviedade. Mas penso agora na modéstia.
Modéstia de todos, principalmente ao chegaram ao apogeu, ao serem a montanha mais alta, ao chegar ao meio-dia, à lua cheia. E modéstia do que está momentaneamente inferior, o vale, que aceita sua situação, aceita ajuda, aceita o tempo e ascende.
Também a modéstia dos intermediários, subindo ou descendo, que permitem que a água passe, que a terra corra, que o sol continue seu movimento, crescente ou minguante, sem querer segurar pra si, para se garantir. Não, deixam fluir, aceitam e, assim, colaboram e se nutrem mutuamente.
E em tudo há beleza. Não ouso dizer qual fase da lua é a mais bela, afinal, na lua nova, o céu fica tão lindo, não é mesmo? E qual seria o melhor horário do dia, a melhor posição do sol, a melhor estação do ano, qual?
Quem ousaria definir o melhor e sustentar sua resposta contra os prováveis argumentos contrários? Aposto que ninguém, pois não acredito que haja melhor.
Nenhuma fase é melhor que a outra, nenhuma etapa, todas fazem parte do ciclo, se dependem e se completam. A beleza de uma, ouso dizer, depende da modéstia da anterior, que sai de cena, e da próxima, que não alardeia sua futura chegada. Não há ansiedade, nem para chegar, nem para sair.
O belo de cada momento é o momento, a beleza da primavera é a primavera, não a perspectiva do verão, ou a lembrança do inverno. E há muita modéstia nisto.
Foi um privilégio!
Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Meu estilo de escrever
Olha só,
Vieram me perguntar qual era o meu estilo de escrever. É simples: escrevo palavras, uma depois da outra, com um espaço no meio. Sim, com espaço, ele é fundamental. Sem o espaço, ficaria tudo emendado, sem sentido, com espaço em lugares errados, pior ainda.
É como uma pausa, um tempo. Entre uma palavra e outra, entre uma atividade e outra, sempre é necessário um espaço.
Às vezes, as palavras vão se juntando e preciso de espaços maiores, as vírgulas, em outros casos, de mais espaço ainda, os pontos finais. Por vezes, acho que convém mudar de linha e reiniciar minha seqüência de palavras num outro parágrafo e, às vezes, melhor mesmo é terminar aquele texto, trocar de papel e começar um novo.
Na vida é igual, sempre é bom um espaço, sempre é aconselhável uma pausa, seja uma vírgula, um ponto e vírgula, às vezes, reticências...
Tem horas, que melhor é colocar um ponto final e começar novamente, num novo parágrafo. E não tenham medo de terminar o texto e começar numa nova folha. Não precisamos escrever tudo num texto só, podem apostar.
Na comédia, por mais hilária que seja, o principal da graça está na pausa. Na aventura, na ação, em tudo, se não fosse a pausa, não haveria o efeito. Na vida, na conversa, no olho no olho, a pausa, o silêncio é que faz a diferença.
Quando lerem, façam o mesmo e dêem uma pausa e sintam o eco das palavras. Quando escreverem, quando olharem, quando viverem, façam o mesmo, sintam o eco.
O meu estilo é este: palavra após palavra, com espaços no meio.
Foi um privilégio!
Vieram me perguntar qual era o meu estilo de escrever. É simples: escrevo palavras, uma depois da outra, com um espaço no meio. Sim, com espaço, ele é fundamental. Sem o espaço, ficaria tudo emendado, sem sentido, com espaço em lugares errados, pior ainda.
É como uma pausa, um tempo. Entre uma palavra e outra, entre uma atividade e outra, sempre é necessário um espaço.
Às vezes, as palavras vão se juntando e preciso de espaços maiores, as vírgulas, em outros casos, de mais espaço ainda, os pontos finais. Por vezes, acho que convém mudar de linha e reiniciar minha seqüência de palavras num outro parágrafo e, às vezes, melhor mesmo é terminar aquele texto, trocar de papel e começar um novo.
Na vida é igual, sempre é bom um espaço, sempre é aconselhável uma pausa, seja uma vírgula, um ponto e vírgula, às vezes, reticências...
Tem horas, que melhor é colocar um ponto final e começar novamente, num novo parágrafo. E não tenham medo de terminar o texto e começar numa nova folha. Não precisamos escrever tudo num texto só, podem apostar.
Na comédia, por mais hilária que seja, o principal da graça está na pausa. Na aventura, na ação, em tudo, se não fosse a pausa, não haveria o efeito. Na vida, na conversa, no olho no olho, a pausa, o silêncio é que faz a diferença.
Quando lerem, façam o mesmo e dêem uma pausa e sintam o eco das palavras. Quando escreverem, quando olharem, quando viverem, façam o mesmo, sintam o eco.
O meu estilo é este: palavra após palavra, com espaços no meio.
Foi um privilégio!
Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
Flexibilidade
Olha só,
Não só na Ioga, mas em vários outros métodos de atividade corporal (vou chamar assim, para generalizar várias técnicas que conhecemos, sem desrespeito a nenhuma), assim como em várias filosofias, aprendemos que precisamos ter flexibilidade.
Aprendemos também que para ter flexibilidade é necessário equilíbrio.
Ser flexível é ser adaptável e não ser frouxo. É estar desperto, pronto, mas não rígido.
Temos a ilusão e a busca por uma tal estabilidade em nossa vida, no trabalho, na família, nos relacionamentos, etc. Estabilidade esta que não há, não existe em nada.
O que é duradouro? Trinta anos no mesmo emprego? Isto é estabilidade? Cinqüenta anos de casamento? Isto é para sempre? O que são trinta, cinqüenta, oitenta anos, que seja? É sério, isto não é nada. Quando se vê já foi, já era, já passou e cadê a estabilidade?
Quem disse que isto é o melhor? Quem disse que há um melhor? Onde está a receita, que eu não achei ainda? Eu, pelo menos que eu saiba, nasci sem manual do usuário, fui entregue assim, sem manual, sem garantia e sem direito de devolução. Então, o jeito é se adaptar, aceitar a maré e navegar, sem querer controlá-la.
Roberto Crema, um dos fundadores da Unipaz, nos conta que já passou pela experiência de estar numa cidade, acho que na Cidade do México, quando aconteceu um terremoto e termina dizendo: ‘recomendo isso a todos’. Normalmente há risos na platéia nesse momento, mas o assunto é sério. A conclusão que ele faz é que nem a Terra, que nos parece ser o que há de mais estável, de mais fixo, o é.
Nada é para sempre, nada permanece como está. Os rígidos caem mais fácil e se quebram quando sua base balança. Os flexíveis balançam junto e se adaptam ao novo estado. Daí a necessidade de flexibilidade com equilíbrio.
Quem é duro, sólido e tem pontas não rola, quebra. E pior, não sabe lidar com a nova realidade, tudo lhe parece estranho, ao sair de seu controle. Controle ilusório, pois, na verdade, nunca o teve.
Quem é flexível, ‘coluna sobe redonda’, sem pontas, bate e volta. Rola na queda e se levanta facilmente. E melhor, se maravilha com a nova realidade, tudo é novo, um desafio novo, emocionante.
Na natureza, nada mais flexível, nada mais adaptável do que a água. E ela faz maravilhas, fura rochas, abre caminho, preenche todos vazios e vai, sem medo do novo. (http://pufedospina.blogspot.com/2008/03/gua.html)
E o convite é este: praticar ioga? Não necessariamente, mas ser flexível. Não assim, largado, o que vier que venha, mas aceitar o que vier, que venha.
Lembre de como éramos há dez, vinte, trinta anos e como somos hoje. O que permaneceu estável neste tempo? E confesse, você queria, de coração, que estivesse tudo estável mesmo? Tudo, mas tem que ser tudo, como estava? Pense bem antes de responder, por favor.
Foi um privilégio!
Não só na Ioga, mas em vários outros métodos de atividade corporal (vou chamar assim, para generalizar várias técnicas que conhecemos, sem desrespeito a nenhuma), assim como em várias filosofias, aprendemos que precisamos ter flexibilidade.
Aprendemos também que para ter flexibilidade é necessário equilíbrio.
Ser flexível é ser adaptável e não ser frouxo. É estar desperto, pronto, mas não rígido.
Temos a ilusão e a busca por uma tal estabilidade em nossa vida, no trabalho, na família, nos relacionamentos, etc. Estabilidade esta que não há, não existe em nada.
O que é duradouro? Trinta anos no mesmo emprego? Isto é estabilidade? Cinqüenta anos de casamento? Isto é para sempre? O que são trinta, cinqüenta, oitenta anos, que seja? É sério, isto não é nada. Quando se vê já foi, já era, já passou e cadê a estabilidade?
Quem disse que isto é o melhor? Quem disse que há um melhor? Onde está a receita, que eu não achei ainda? Eu, pelo menos que eu saiba, nasci sem manual do usuário, fui entregue assim, sem manual, sem garantia e sem direito de devolução. Então, o jeito é se adaptar, aceitar a maré e navegar, sem querer controlá-la.
Roberto Crema, um dos fundadores da Unipaz, nos conta que já passou pela experiência de estar numa cidade, acho que na Cidade do México, quando aconteceu um terremoto e termina dizendo: ‘recomendo isso a todos’. Normalmente há risos na platéia nesse momento, mas o assunto é sério. A conclusão que ele faz é que nem a Terra, que nos parece ser o que há de mais estável, de mais fixo, o é.
Nada é para sempre, nada permanece como está. Os rígidos caem mais fácil e se quebram quando sua base balança. Os flexíveis balançam junto e se adaptam ao novo estado. Daí a necessidade de flexibilidade com equilíbrio.
Quem é duro, sólido e tem pontas não rola, quebra. E pior, não sabe lidar com a nova realidade, tudo lhe parece estranho, ao sair de seu controle. Controle ilusório, pois, na verdade, nunca o teve.
Quem é flexível, ‘coluna sobe redonda’, sem pontas, bate e volta. Rola na queda e se levanta facilmente. E melhor, se maravilha com a nova realidade, tudo é novo, um desafio novo, emocionante.
Na natureza, nada mais flexível, nada mais adaptável do que a água. E ela faz maravilhas, fura rochas, abre caminho, preenche todos vazios e vai, sem medo do novo. (http://pufedospina.blogspot.com/2008/03/gua.html)
E o convite é este: praticar ioga? Não necessariamente, mas ser flexível. Não assim, largado, o que vier que venha, mas aceitar o que vier, que venha.
Lembre de como éramos há dez, vinte, trinta anos e como somos hoje. O que permaneceu estável neste tempo? E confesse, você queria, de coração, que estivesse tudo estável mesmo? Tudo, mas tem que ser tudo, como estava? Pense bem antes de responder, por favor.
Foi um privilégio!
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