Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Noite de São João

Olha só,

Se ainda há alguém distraído, é bom avisar: amanhã é dia de São João, melhor do que isso, hoje é noite de São João.

Para nós, no hemisfério sul, a noite mais longa do ano. Para os do norte, a noite mais curta. Tanto faz, é um divisor.

Muita simbologia, muitas crenças e mitos, conforme a religião e a cultura, mas quase todos comemoram este dia e de forma muito parecida. Vamos ver alguns, assim meio por cima mesmo:

Já foi comemorado como dia da deusa Juno, esposa de Júpiter, a rainha dos deuses. Era praticamente a Maria da mitologia romana, inclusive com vários nomes, como Juno Lucina, Juno Natalis, Juno Matronalis, etc (qualquer semelhança com as várias Nossas Senhoras não deverá ser mera coincidência). Daí o mês se chamar junho, uma homenagem a ela. E, mesmo antes de Cristo, alguns povos já comemoravam as festas ‘junônias’.

Para os cristãos, principalmente os católicos, é dia de São João Batista. Ele mesmo, o profeta, que veio antes para anunciar a chegada do Messias. Daí, podemos imaginar o nome das festas ‘joaninas’, como também já foram chamadas, mas não importa.

O que quero chamar atenção é que, como na história bíblica, aqui também São João vem antes, seis meses antes, para anunciar a vinda do Salvador, a chegada do sol. Daqui seis meses, eu prometo, será o dia mais longo do ano e o sol triunfará, o Messias chegará. O pior já passou, agora, a cada dia, o sol brilhará mais.

Escolham o motivo que quiserem: Juno, pela fertilidade e fecundação, João Batista, pela anunciação e promessa de um futuro, ou o simples fato do solstício. O fato é que é uma data de renascimento, de recomeçar. E só há duas datas destas no ano.

Então aproveitem para fazer suas orações, suas preces, e para agradecer, sim, agradeçam muito, para melhor aproveitar a colheita que nos espera, o novo nascimento do sol, a nova metade do ano.

E mais do que tudo, comemorem, brindem, acendam a fogueira, comam pipoca, pinhão, batata doce, o que for, mas comemorem e se preparem. Meio ano já foi e outro meio temos pela frente!

Foi um privilégio!

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Culto ao Copo

“Os copos muito feios que me perdoem, mas uma taça digna é fundamental”


Olha só,

Vivemos, acho que mais do que nunca, o culto ao copo e à garrafa. Sim, ao copo, à taça e à garrafa. Parece que mais importante do que o vinho que vai dentro, o que querem é uma taça bonita, uma boa apresentação. Copo de requeijão nem pensar!

O vinho nem precisa ser lá essa coisas. Para alguns basta ser vinho, desde que servido numa bela taça de cristal, bem trabalhada e saído de uma garrafa com estilo. Afinal, o que vale é o status que passa para quem o vê bebendo.

É claro que uma taça de cristal tem o seu valor... não sou louco de discordar disso, mas o principal é o vinho. Ou melhor, para mim é.

Concordo que o ideal é um belo vinho numa bela taça. Sinceramente, acredito que até o gosto mude. Se a garrafa tiver seu estilo, melhor ainda: é agradável e fica bonita na adega.

Acho que o que mais me incomoda não é a preocupação com o copo, com a taça, com a garrafa, mas a falta de preocupação e de zelo com o vinho, ou seja lá que bebida estiver dentro.

Tenho a sensação de que o que deveria ser o principal interesse, a motivação original, perde espaço para algo importante, sim, mas secundário.

E fiquei sabendo que há vinícolas que têm se especializado na produção de taças, copos e de garrafas cada vez mais belas, malhadas em academia, lipoaspiradas, que seriam o sonho de consumo de qualquer pessoa, mas... e o conteúdo, a bebida?

O que era para ser, no máximo, um diferencial, acaba se tornando o principal foco. Gente, assim não dá. Quer ter uma garrafa bonita? Tudo bem. Quer beber numa bela taça de cristal tcheco? Ótimo, também quero. Mas, por favor, escolham bem o vinho.

Foi um privilégio!

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Música da Amizade

Olha só,

Para mim, amigos são como notas musicais. Sim, notas musicais, cada um é uma delas. Alguns são Dó, outros Ré e assim por diante. E há os sustenidos e os bemóis também, não esqueçamos.

Quando estamos com eles, conforme nos conhecemos e ampliamos nossa rede de amizade, criamos lindas melodias, mas só quando juntos, em vários, é que criamos os acordes e as harmonias.

Devemos cuidar sempre deste aspecto: cada um é uma nota. E como tal, podem ser consonantes com algumas e dissonantes com outras. Ré é consonante com Sol, que é consonante com Dó, mas Ré e Dó não se dão, são dissonantes. E Sol não tem nada a ver com isso, oras. Então, ele que não os force a ficarem juntos, ou, se assim o fizer, saiba da dissonância que está criando, e agüente.

Se pensarmos numa música inteira, disssonâncias são válidas, até recomendadas, mas ficar assim o tempo todo...

O que fazemos é isto: procuramos estar com quem se harmoniza melhor conosco, mas não precisa haver nada de errado com o outro. Dó e Ré não são melhores do que as outras notas e nem entre elas há uma melhor. Apenas são como são, diferentes. E não seria agradável a convivência delas por muito tempo, provavelmente. Apenas alguns encontros fortuitos, alguns acordes, e, em seguida, cada um para o seu lado.

Às vezes temos amigos tão parecidos, que tentamos uni-los, mas não dá, não se dão. Poxa, é só meio tom de diferença! Mas que diferença!

Alguns nos deixam maiores, outros nos tornam menores, e, seguindo na teoria musical da amizade, teremos os dominantes, os diminutos, aumentados e assim por diante.

Várias opções, inúmeras combinações e a harmonia se faz, a música nasce. E tudo é bonito, tudo é música, tudo é amizade.

Feio mesmo é música de uma nota só.

Foi um privilégio!

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

É Favorável Atravessar a Grande Água

Olha só,

No I Ching, várias vezes encontramos este conselho: “É favorável atravessar a grande água”. Normalmente a interpretação que se faz é que se deve ir em frente, seguir na empreitada, que tudo estará abençoado.

Conforme a tradução e a interpretação pode mudar um pouco, mas sempre remete à coragem, ao desafio, a não se desviar do caminho em que se está, ou algo do tipo. E, principalmente, ao sucesso desta atitude.

Não quero dar nova interpretação, nada disso, mas para mim, com todo respeito, sempre que leio este conselho, o que me vêm à cabeça é como que uma ordem: ‘Pegue tuas trouxas, e te manda! Só pare quando chegar do outro lado do oceano! E lembre-se da mulher de Ló: nada de olhar para trás! Vá!’.

Lembro do Mar Vermelho, lembro da ‘Ponte’ de Lenine, e sempre a ordem é a mesma: atravessar, ‘a ponte é somente pra atravessar’. Pela ponte, com o mar aberto, de avião, navio, tanto faz, mas atravessar, se hesitar.

Pode parecer algo simples, simplista, eu diria, mas não é.

O que mais me toca não é o simples ir, o atravessar, mas o desprendimento dessa ação aparentemente simples. Este partir que falo aqui é como ouço na ordem que citei acima: eu e minhas trouxas, e só. Sem levar mais nada. Não é uma mudança de endereço, onde levamos nossas vidas junto, nossos móveis, nossos costumes, nossas arrumações... não!

A travessia é mais exigente: é sem olhar para trás, é só levando suas roupas, e poucas, só o que couber numa mochila. É deixar tudo onde e como está e ir, e correr o risco de não fazer falta. Sim, este é o perigo, este é o desprendimento. É deixar o seu mundo sem você. E ir, atravessar a grande água.

Foi um privilégio!

Sábado, 14 de Junho de 2008

Festival de Teatro de Bonecos de Canela

Olha só,

Estou assistindo ao Festival de Teatro de Bonecos de Canela. Confesso que a idéia me pareceu estranha num primeiro momento: sair de Porto Alegre e vir até Canela para passar todo o final de semana, abaixo de muito frio (muito frio!), para assistir teatro de boneco! Que estranho, que falta do que fazer! Mas, tudo bem, algo me chamava e cá estou.

Não acredito que aconteça com todos, que a experiência seja assim, tão gratificante, para todas as pessoas, mas, para as que apreciam arte, sem dúvidas, o é.

Nas peças, os temas são dos mais diversos, mas, em todas, mesmo nas que não gostei tanto assim, em todas, sem exceção, a magia está presente. Há um lúdico em cada boneco que nos tira da lógica tradicional e nos leva a outro mundo.

Sim, vemos os manipuladores, sabemos que aqueles bonecos não têm vida, mas não vemos os manipuladores e percebemos a vida nos bonecos. Entenderam?

Vou dar um exemplo: ontem à noite, numa das peças que mais gostei, um boneco fazia bolhas de sabão. Isto mesmo, o boneco fazia bolhas de sabão e brincava com elas depois. Bolhas de sabão de verdade, é bom deixar claro.

Pois bem, era, de certa forma, visível a engenhoca que permitia ao manipulador soprar, provavelmente através de um tubo ligado à boca do boneco, de forma que o ar que enche as bolhas saísse pela boca do boneco.

E o que víamos era exatamente isso: o boneco soprando e fazendo bolhas de sabão. Ou seja, o bonequeiro soprava, é óbvio, víamos, mas era o boneco que fazia as bolhas, com seu próprio ar.

Agora entenderam?

É, não está fácil ser claro e objetivo, não consigo explicar. Vai ver é porque não tem explicação.

Façam assim, quando tiverem oportunidade, próximo a vocês, não percam, assistam e vivam a vida com os bonecos, sintam sua fantasia, o lúdico. Depois me escrevam, para me explicar.

Foi um privilégio!

Para terem uma leve idéia: http://www.youtube.com/watch?v=6rIJJp6aMlA

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

A Flor É Efêmera

“A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.”

Olha só,

Li, na última semana, um livro de Nilton Bonder, chamado “O Sagrado”. Livro que recomendo, onde o autor faz um contraponto, para não dizer que vai totalmente contra o “O Segredo”, que está tão na moda.

Mas este não é o foco agora, o fato relevante para este texto é que neste livro, enquanto o autor faz uma série de advertências sobre a pressa que temos para alcançar nossos objetivos, nossos sonhos e, por que não dizer, nossa insaciável busca de sempre mais, ele faz um paralelo com uma semente jogada junto a um rio, imagem esta que ele busca de uma passagem bíblica.

Ao ler este trecho, me veio esta frase: “A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.” Frase esta que não me sinto à vontade para dizer que é minha, mas um resumo da idéia de um dos seus parágrafos.

E é assim que somos, como flores, somos efêmeros, passageiros, quando se vê, já foi. Mas algo fica, independente da crença de cada um, algo fica, sempre. Sim, há flores estéreis, imagino eu, mas não é para essas que escrevo. Escrevo para as que dão semente, como você.

O mais importante para uma flor, embora seja a aparência o que mais chama a atenção, é o que ela traz dentro de si, a semente. É seu conteúdo, sua razão de ser. Ela não existe pra ser bonita, perfumada, embora o seja. Ela existe para proteger, como invólucro, a semente dentro de si.

Algumas caem ou são colhidas antes desta semente estar pronta, e só é lhe dado valor por sua aparência. Não é válido? É, claro que é. São belas, embelezam o ambiente, perfumam, mas, que pena, morrem e não deixam nada.

As que não são colhidas, as que permanecem na sua árvore, no seu pé, às vezes passam até desapercebidas, mas serão estas que trarão uma nova planta. Pois aquela semente que traz em si, tem, dentro de si, de certa forma, toda uma nova árvore.

E a escolha da flor é esta, se lhe fosse possível escolher: ser apreciada como flor, dada de presente, adorada, colocada em vasos, em destaque, linda, perfumada, ou um aparente final triste: amadurecer e morrer, mas daí ver brotar uma árvore com tantas outras flores, frutos... muito mais do que ela pudera sonhar ser.

Na primeira escolha, o mérito é reconhecido por todos, na hora, mas em breve tudo acaba. Na segunda, parece uma vida normal, provavelmente nem no futuro lhe darão muito mérito...

Qual você prefere? Se fosse uma flor e pudesse escolher, qual seria o seu destino?

Pense, reflita e não tenha medo, nem vergonha da sua resposta. Sinceramente, não sei se existe resposta certa. Acho que não. E só um questionamento.

Foi um privilégio!

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Isabella e o Padre Voador

Olha só,

Quem foi que disse que precisamos estar informados de tudo o que acontece?

Por que precisaríamos saber do que está acontecendo em todo mundo, cada vez mais ‘na hora do fato’, cada vez mais ‘on-line’?

Pra que notícias a toda hora?

Na minha opinião, em grande parte, esta febre só serve para alimentar sensacionalismos, especulações e, creio sinceramente, muito pouco contribuem para a nossa vida.

Por exemplo, pasmem, mas fiquei sabendo há poucos dias dos casos da menina Isabella e do tal padre voador. E, ainda assim, meio por cima, sob o olhar zombador de alguns amigos.

E pergunto: que diferença fez para mim ou para quem não está diretamente ligado com a história ficar sabendo disto no dia em que aconteceu ou dias e meses depois? Ou ainda, nem ficar sabendo, e daí?

Disseram que este caso monopolizou e ainda deve estar tomando conta de grande parte da imprensa, do noticiário e das conversas de muitas pessoas. Pra quê?

Não sei maiores detalhes. E que diferença faz?

Estava com a TV ligada, passava um jogo de futebol, quando tudo parou: ao vivo, direto de sei lá aonde, a prisão dos pais de Isabella. Na cena, vários carros de polícia, vários policiais, acho que um quarteirão todo interditado e eu pensei: o que esta tal de Isabella deve ter aprontado, para prenderem até os pais dela? Chegou a me dar pena dos coitados... Fiquei curioso e fui me informar. Em segundos, na Internet, descobri o que tinha acontecido e, sinceramente, pasmei, como a maioria, acredito, das pessoas. Mas daí a ficar semanas só se falando disso... por favor!

Do padre voador tive menos notícias e interesse ainda. Quando contei dessa história da Isabella para alguns amigos, me perguntaram se eu sabia da história do padre com seus mil balões. Confesso que na hora achei que era piada. Ainda acho que é.

O que vejo, o que sei é que não são nos dadas as notícias que realmente podem nos interessar, as ditas importantes, só nos são dadas notícias que dão público, que dão audiência, afinal, o objetivo do jornal, da TV, do rádio, seja lá que mídia for, em resumo, não é o de nos informar coisa nenhuma, mas sim o de ter patrocínio, de se manter, de dar lucro. E o patrocinador procura quem tem audiência e não quem tem a ‘melhor’ notícia, quem é o mais imparcial, isto é só pra vender mais.

Pior é que se criou uma cultura, um conceito de que as pessoas devem estar informadas, devem assistir a um telejornal, devem se manter atualizadas do que acontece com seu país e com o mundo. Precisamos mesmo? Se só nos informam o que querem? Quanta notícia realmente importante não deve ter ficado em segundo plano, enquanto mostravam detalhes e mais detalhes e ângulos diferentes e opiniões até de quem não tem nada que opinar sobre a tal Isabella?

Acho importante sabermos que houve um terremoto na China, mas precisa ser na hora? Com as câmeras ainda tremendo um pouco? Preciso de detalhes sórdidos? Se eu puder ajudar em algo, ótimo, se não, só serve para Sharons Stones da vida falarem besteiras e exporem seus preconceitos.

Que me desculpem: mas, pra mim, isso é só propaganda, para, ao final, ou nos intervalos, na página ao lado, me oferecerem sabão em pó, margarina, cerveja e um novo conceito de viver no bairro nobre da cidade. Transformam noticiário em novela. Conforme a audiência, teremos mais ou menos capítulos.

Quando preciso saber de algo, e assim funciona com todos, eu fico sabendo. Se estou envolvido na história, se posso fazer algo, se me compete, saberei, não há dúvidas. Por exemplo, se vou viajar e preciso de alguma moeda estrangeira, fico sabendo da cotação, posso acompanhar por alguns dias, enquanto organizo minha viagem. E só.

Pra que me serve saber a tendência do mercado exterior em relação ao Real? Só especulação e terrorismo. Se não é meu trabalho, se não sou economista, investidor, pra que acompanhar a cotação da moeda hora a hora. Há sites que acompanham minuto a minuto (!!!)

E assim se aplica a quase todas as áreas.

Como já disse, na grande maioria, as notícias se resumem a sensacionalismos, exploração de fatos que dão audiência (não usarei a palavra ibope), haja ou não novidades relevantes sobre o mesmo e terrorismos de todos os tipos, principalmente sociais, para plantar medo, especulações, pânicos e outras doenças dispensáveis.

Uso TV para ver filmes, algum esporte, algum documentário e jornais para ler o caderno de cultura e saber da programação da cidade.

E recomendo: para os noticiários, façamos como faço com novelas: vejo uma vez por mês, só para confirmar que está tudo igual mesmo.

Foi um privilégio!

Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Fronteiras

Olha só,

Ontem assisti uma conferência do escritor manauara Milton Hatoum, aqui em Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento*.

Logo no início de sua apresentação, ele nos contou uma história de uma conversa que teve durante o vôo de São Paulo para Porto Alegre e falou sobre a expressão ‘confins’, pois sendo ele de Manaus, lhe parece que o Rio Grande do Sul fica nos confins do Brasil e é exatamente o contrário, para quem vive aqui.

Depois disse que confins é o limite, a extremidade, é onde tomamos contato com o outro país, ou seja o que for, é onde podemos ser expulsos ou acolhidos. Vou repetir, expulsos ou acolhidos.

Em outra conferência, há quase dois meses, Edgar Morin também falou algo parecido, inclusive tentou nos estimular, ao dizer que quanto mais próximos do fim, mais próximos de um novo começo. Que o fim, que pode parecer algo triste e trágico, traz em si a maravilha de um novo início. Disse algo do tipo: quanto mais evoluímos rumo à catástrofe, mais nos aproximamos da metamorfose. E disse também: meu fim é meu começo, a origem não está atrás, mas à frente.

Provavelmente pelo próprio nome do projeto conter a palavra ‘fronteiras’, os conferencistas já devem se sentir estimulados a pensar e falar sobre o assunto.

O fato é que me sinto assim, na fronteira. Quase lá, quase cá. Nem aqui, nem ali ainda.

No final de uma fase do vídeo game, tudo cumprido, tarefas realizadas, ou não, só mesmo a procurar pela porta que me leva à próxima fase, à próxima etapa.

Sou só eu? Confessem!

Provoco-os porque sinto que muitos estão assim, com aquela sensação de que algo novo está no ar, de que a vida que levam, ou levavam, está no fim, está sem sentido, só falta um passo. E que passo!

Muitos, e me incluo, têm se sentido à margem, e aproveito o termo para seu outro significado, não só a sensação de estar sendo deixado de lado, mas o fato de estar ali, na linha limítrofe. Sugiro que se aproveite o fato de se estar ali e que se dê mais um passo, rumo ao aparente nada, ao desconhecido, ao fim, que poderá ser, e aposto que será, um novo início.

Foi só assim, quando deram um passo rumo ao nada, rumo ao fim do mundo que navegadores, como Cristóvão Colombo e outros, descobriram continentes e redescobriram seu próprio mundo. Eles se jogaram rumo ao que até então era o aparente nada, o fim do mundo, o ‘buraco’.

O convite é este, tenhamos coragem de seguir, de mudar, de iniciar um novo ciclo. O aparente caos, a confusa falta de rumo, de perspectivas, às vezes, pode ser apenas a apresentação do novo, que, por não conhecermos, nos parece tão estranho. Não tenhamos medo de nos desfazermos do casulo e sair do conforto que já conhecemos. E de preferência, façamos isso sozinhos, por nossas próprias forças, com nossa coragem, para que nossas asas tenham forças para voar.

Foi um privilégio!


* – mais informações sobre o Fronteiras do Pensamento, no site: http://www.fronteirasdopensamento.com.br/

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Escritos por Escrever

Meus amigos,

Achei de bom tom iniciar este novo projeto, este novo blog, explicando, ou, pelo menos, tentando explicar, o porque do nome: escritos por escrever.

Melhor do que explicar, acho que convém tentar entender. Este exercício farei junto com vocês, agora.

Não sei exatamente como este nome surgiu, da mesma forma como não sei a maneira que surgem as idéias em minha cabeça. Mas, neste caso, não consigo sequer pensar em alguma etapa anterior, do tipo: eu estava pensando em tal assunto, daí vi uma determinada cena, que me levou a este nome. Não, nada. Apenas pensei em criar este blog e, ao criá-lo, a primeira pergunta foi: ‘Título do blog’. Foi ai que pensei: ‘poxa, não tem nome ainda’, e escrevi isto: escritos por escrever.

Agora paro para tentar entendê-lo, leio-o em voz alta, para ver o que ele significa para mim e me vem, no mínimo, duas explicações à cabeça: a primeira me remete ao futuro, com uma conotação de o que ainda está por ser escrito, os escritos que estão por escrever. A segunda explicação me remete ao passado, à forma como os textos são escritos.

Não sei qual delas me agrada mais, mas como o jogo está sendo proposto por mim, ditarei as regras e me permitirei escolher as duas.

Na primeira, penso na grande quantidade de textos, de escritos, sejam da forma que for, que ainda estão por surgir, que daqui a algum tempo preencherão este blog. Sinceramente, é quase inimaginável.

Não faço idéia do que poderemos encontrar aqui daqui um tempo. Posso até me atrever a dizer algumas idéias que tenho, alguns textos em andamento, mas não tenho como imaginar o que ainda poderá surgir. Se levar em conta, que poderemos ter comentários de pessoas das mais diversas, então esta previsão torna-se praticamente impossível. E isto me motiva, faz meu olho brilhar.

Na segunda explicação, do passado, de como o texto foi escrito, por escrever, o que me motiva é que, para mim, acredito que essa seja a explicação. Do significado do blog? Não, mas do porque escrevo.

Sim, escrevo por escrever. Não pelo simples fato, mas pelo imenso prazer de escrever. Só isso.

Confesso que me encanta a forma como os textos chegam às pessoas, ou, melhor dizendo, a forma como as pessoas lêem os textos, sejam eles poemas, crônicas, o que for. Por mais que, para mim, enquanto escrevo, as razões, os sentimentos pareçam óbvios, pareçam quase que objetivos e concretos, sempre me surpreendo, e acho lindo isto, quando ouço as explicações, os entendimentos tão diversos que as pessoas têm.

Só que isto, este entendimento diverso, não cabe a mim, não posso fazer nada por ele, não posso escrever imaginando como me lerão, como me entenderão, mesmo porque já o fiz e sempre, inevitavelmente, sempre errei.

Então, o que me cabe é escrever sem nenhuma pretensão, sem nenhum objetivo concreto, palpável, simplesmente escrever por escrever e deixá-los assim escritos, simplesmente escritos. E sonhar, e buscar os novos escritos, que ainda estão por escrever, escondidos sei lá aonde, esperando que alguém os descubra e os revele. A alguém assim, que escreve por escrever.

Foi um privilégio!