“muita luz também provoca cegueira”
Olha só,
Assisti a este filme nesta semana. Recomendo.
Não é do tipo de filme para se assistir com pipoca e coca-cola. É para se assistir em silêncio. Não é programa de família, filme para se ver com a namorada. É para se ver sozinho, mesmo que acompanhado. Cada um consigo mesmo. É filme para se ver.
Depois, se possível, vale uma cerveja, um vinho, um chimarrão, café, o que for, para captar devagar o que foi visto, o que foi tocado. Por favor, quando assistirem, não saiam da sessão e comecem imediatamente a falar, explicar, tentar entender tudo o que foi visto. As duas horas podem ser poucas, para se absorver tudo.
Em termos de história, início, meio e fim, não tem nada de mais, confesso. Não me surpreenderia se me dissessem que a acharam meio boba. E acho isto irrelevante, afinal é obviamente metafórica.
O que me tocou no filme não foi a história, a narrativa cronológica dos fatos, de forma objetiva, até porque é um tanto quanto inverossímil. O que me tocou foram as cenas, as ações, reações, pensamentos, instintos, alguns coletivos, o que aflora do filme, a cada momento. Há muito a se pensar, há muitos paralelos a serem feitos, há muito de nós, infelizmente, em cada um daqueles personagens, em cada uma daquelas ações, em cada um daqueles instintos, preconceitos, idiotices e assim vai.
Mas advertirei: cuidado com a cegueira. Muito branco, muita luz também provoca cegueira. E não a procure nos outros, procure no lugar mais difícil de se ver, no escuro, dentro de si.
Há cegos, ou há cegueira? Há cegueira, ou há cegos?
Foi um privilégio!
sábado, 11 de outubro de 2008
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