sábado, 11 de outubro de 2008

Ensaio sobre a cegueira

“muita luz também provoca cegueira”

Olha só,

Assisti a este filme nesta semana. Recomendo.

Não é do tipo de filme para se assistir com pipoca e coca-cola. É para se assistir em silêncio. Não é programa de família, filme para se ver com a namorada. É para se ver sozinho, mesmo que acompanhado. Cada um consigo mesmo. É filme para se ver.

Depois, se possível, vale uma cerveja, um vinho, um chimarrão, café, o que for, para captar devagar o que foi visto, o que foi tocado. Por favor, quando assistirem, não saiam da sessão e comecem imediatamente a falar, explicar, tentar entender tudo o que foi visto. As duas horas podem ser poucas, para se absorver tudo.

Em termos de história, início, meio e fim, não tem nada de mais, confesso. Não me surpreenderia se me dissessem que a acharam meio boba. E acho isto irrelevante, afinal é obviamente metafórica.

O que me tocou no filme não foi a história, a narrativa cronológica dos fatos, de forma objetiva, até porque é um tanto quanto inverossímil. O que me tocou foram as cenas, as ações, reações, pensamentos, instintos, alguns coletivos, o que aflora do filme, a cada momento. Há muito a se pensar, há muitos paralelos a serem feitos, há muito de nós, infelizmente, em cada um daqueles personagens, em cada uma daquelas ações, em cada um daqueles instintos, preconceitos, idiotices e assim vai.

Mas advertirei: cuidado com a cegueira. Muito branco, muita luz também provoca cegueira. E não a procure nos outros, procure no lugar mais difícil de se ver, no escuro, dentro de si.

Há cegos, ou há cegueira? Há cegueira, ou há cegos?

Foi um privilégio!

0 comentários: