Naquela manhã, assim que a lua nasceu, sai para caminhar.
Sai a andar pela praia, para ver se te encontrava, por acaso. Já fazia quase um mês que passava pelo mesmo lugar que nos conhecemos, na mesma hora, para tentar, novamente, te encontrar por acaso.
Nosso acaso já tinha acontecido uma vez, mas faltara algo, e eu precisava de mais uma chance, só mais uma, para dizer o que eu queria. Um simples encontro fortuito resolveria tudo, mas ele não acontecia.
Durante o dia, eu acabava por esquecer, ao me envolver com outros assuntos, mas era só amanhecer, assim que eu acordava e via a luz da lua, me lembrava de ti e tinha que sair novamente a caminhar, a buscar nosso novo encontro ao acaso.
Depois que te vi, que te conheci, meu mundo mudara. Nada mais brilhava tanto como tu, nada tinha tanta luz, nada mais guiava meus dias.
Olhar diretamente para o sol já não me causava mal algum aos olhos, que já tinham passado por prova maior: olhar diretamente nos teus.
A partir daquele dia, o que via nascer todas as manhãs, era a lua, tão fraco era seu brilho, que só fazia refletir o teu.
Mas, naquele dia, como disse no início, sai para caminhar novamente. Algo me dizia que não seria igual, que o acaso aconteceria.
E, assim, caminhei confiante. Decidi parar de procurar, de olhar para todos os lados e segui assim, totalmente distraído, ou fingindo estar, pois já tinha me conformado de que só assim te encontraria.
Fui até o final da praia e nada. Mas, quando voltava, naquela inesquecível volta para casa, já quase obrigado a aceitar o fracasso de mais um dia, aconteceu o que eu já não acreditava, nem esperava mais.
Vinha resignado e distraído, de verdade, quando outra menina trombou comigo. Meus olhos, calejadas e ofuscados pelo teu brilho, se abriram como nunca, o sol voltou a brilhar, no seu devido lugar, com seu devido brilho, pois o brilho dessa menina era intenso, como poucos, mas não ofuscava o brilho de ninguém.
E aquele foi o último dia que sai a caminhar assim, sozinho, a te procurar por acaso.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário