Olha só,
Lá fora a lua está crescente. Até o final da semana estará cheia, mas não por muito tempo. Não há novidade alguma nisto.
O próprio sol, que há poucas horas estava lá em cima, no seu auge, já está baixando, quase sumindo no horizonte e ainda vai baixar mais, mas não por muito tempo.
Assim também as águas correm do topo das montanhas até o mais baixo dos rios, mas não por muito tempo. Logo evaporam e voltam ao topo, às nuvens. Ou fluem em fontes nos mais altos picos.
E o movimento é este, em tudo. Montanhas sofrem erosão e vão preenchendo os vales. E assim, ao invés de se sentirem superiores, dividem. E depois brotam do fundo da terra novamente.
Este é o ciclo natural da vida, da lua, do sol, das águas, da terra. Melhor entendido e aceito por eles do que por nós, racionais. A natureza ali, cheia de exemplos a nos ensinar, mas não prestamos atenção.
Há muita lição nesta obviedade. Mas penso agora na modéstia.
Modéstia de todos, principalmente ao chegaram ao apogeu, ao serem a montanha mais alta, ao chegar ao meio-dia, à lua cheia. E modéstia do que está momentaneamente inferior, o vale, que aceita sua situação, aceita ajuda, aceita o tempo e ascende.
Também a modéstia dos intermediários, subindo ou descendo, que permitem que a água passe, que a terra corra, que o sol continue seu movimento, crescente ou minguante, sem querer segurar pra si, para se garantir. Não, deixam fluir, aceitam e, assim, colaboram e se nutrem mutuamente.
E em tudo há beleza. Não ouso dizer qual fase da lua é a mais bela, afinal, na lua nova, o céu fica tão lindo, não é mesmo? E qual seria o melhor horário do dia, a melhor posição do sol, a melhor estação do ano, qual?
Quem ousaria definir o melhor e sustentar sua resposta contra os prováveis argumentos contrários? Aposto que ninguém, pois não acredito que haja melhor.
Nenhuma fase é melhor que a outra, nenhuma etapa, todas fazem parte do ciclo, se dependem e se completam. A beleza de uma, ouso dizer, depende da modéstia da anterior, que sai de cena, e da próxima, que não alardeia sua futura chegada. Não há ansiedade, nem para chegar, nem para sair.
O belo de cada momento é o momento, a beleza da primavera é a primavera, não a perspectiva do verão, ou a lembrança do inverno. E há muita modéstia nisto.
Foi um privilégio!
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1 comentários:
Caro Alexandre,cada vez que leio teus deliciosos textos, minha alma degusta momentos de puro prazer. Obrigada. Mando-te noticias da peca. (desculpa teclado do note nao configurado).
Beijos.
Karine Capiotti e Clarices.
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