“Os copos muito feios que me perdoem, mas uma taça digna é fundamental”
Olha só,
Vivemos, acho que mais do que nunca, o culto ao copo e à garrafa. Sim, ao copo, à taça e à garrafa. Parece que mais importante do que o vinho que vai dentro, o que querem é uma taça bonita, uma boa apresentação. Copo de requeijão nem pensar!
O vinho nem precisa ser lá essa coisas. Para alguns basta ser vinho, desde que servido numa bela taça de cristal, bem trabalhada e saído de uma garrafa com estilo. Afinal, o que vale é o status que passa para quem o vê bebendo.
É claro que uma taça de cristal tem o seu valor... não sou louco de discordar disso, mas o principal é o vinho. Ou melhor, para mim é.
Concordo que o ideal é um belo vinho numa bela taça. Sinceramente, acredito que até o gosto mude. Se a garrafa tiver seu estilo, melhor ainda: é agradável e fica bonita na adega.
Acho que o que mais me incomoda não é a preocupação com o copo, com a taça, com a garrafa, mas a falta de preocupação e de zelo com o vinho, ou seja lá que bebida estiver dentro.
Tenho a sensação de que o que deveria ser o principal interesse, a motivação original, perde espaço para algo importante, sim, mas secundário.
E fiquei sabendo que há vinícolas que têm se especializado na produção de taças, copos e de garrafas cada vez mais belas, malhadas em academia, lipoaspiradas, que seriam o sonho de consumo de qualquer pessoa, mas... e o conteúdo, a bebida?
O que era para ser, no máximo, um diferencial, acaba se tornando o principal foco. Gente, assim não dá. Quer ter uma garrafa bonita? Tudo bem. Quer beber numa bela taça de cristal tcheco? Ótimo, também quero. Mas, por favor, escolham bem o vinho.
Foi um privilégio!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
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